comoela680_163840671658c2cb748412a

 

Queridas Senhoras,

podemos começar pelo último post da Marta, Copérnico não acreditava na verdade. «A vida fora outrora um sonho luminoso e límpido que o esperava alhures, para lá da desilusão dos dias vulgares (…)»

E se a verdade, a existir, estiver nos dias vulgares? E se a felicidade for a normalidade e não a exaltação? Se não houver mistério nenhum a não ser o de acordar cada manhã e tentar fazer melhor, ser melhor pessoa?

Só há uma coisa melhor do que ler um grande livro, um clássico daqueles que atravessam os tempos e tocam várias gerações. É ainda não o ter lido e ter essa aventura para viver. Vivi 40 anos sem ter lido Anna Karenina e só não me arrependo porque pude lê-lo há muito pouco tempo e por isso tenho-o muito vivo e presente. Antes vi a mini-série (foi o impulso para a leitura) e a semana passada calhou ver o filme de Joe Wright. E ontem assisti a Como ela morre no Teatro D. Maria II.

Tenho o enredo do livro tão presente que sou capaz de desfiar as cenas mais importantes de empreitada. Identifico os diálogos, sei quem diz o quê e quando. Francamente não sei o que teria sentido em relação à peça se não conhecesse tão bem a obra. Mas julgo que não será indispensável conhecê-la para ver e apreciar esta criação de Tiago Rodrigues e da companhia belga Stan.

Há desde logo esta ideia muito forte e muito bonita que é a deste grande clássico da literatura traduzido em várias línguas, lido por muita gente em épocas diferentes. Quase podemos escutá-los em uníssono, recitando em russo, inglês, francês, português, alemão, com os sons e ritmos próprios de cada idioma, «todas as famílias felizes são iguais…». Mulheres, homens, jovens, velhos de muitos países e tempos, entrando pela primeira vez na casa dos Oblonskys.

Como ela morre põe em cena duas épocas (a actualidade e o final dos anos 60) e três idiomas, o português, o francês e o neerlandês. Dois casais recriam o drama do afastamento, do desamor (quando a orelha ao lado da qual acordamos já não é a orelha que queremos mordiscar), por um lado, e da paixão proibida, por outro.

Há um homem traído que lê uma edição sublinhada de Anna Karenina e recusa-se a falar com a mulher adúltera enquanto não chegar ao fim. Há uma mulher que lê a obra em francês para aprender o idioma. Foi um fotógrafo belga que lhe deu o livro e agora encontram-se todos os dias na estação de Melchen, antes de seguirem o seu destino, um para Bruxelas, o outro para Antuérpia. Há encontros semelhantes, entre outro casal, na estação do Rossio, em Lisboa. Há um homem que esteve na guerra e só quer pintar a casa. Uma casa em construção que a mulher quer abandonar metendo a vida numa mala vermelha. A normalidade desmoronada e a tinta inútil a secar nas latas,

No livro, como na peça, a estação de comboios é lugar de vida e morte. (A certa altura alguém diz que não é o amor que importa mas sim a morte e, portanto, a vida.) É na estação que Anna e Vronsky se encontram pela primeira vez. É aí que ele vê o brilho impossível dos olhos que ela não consegue disfarçar. O brilho que ilumina a escuridão. Como o relâmpago que às vezes deixa ver, por um instante apenas, a vida, a verdade ou o que quer que seja.

Beijinhos a todas,

Céu

 

Tags: ,

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·

IMG_1295

Queridas Senhoras,

a primeira obra que li de John Banville foi O Livro da Confissão e desde logo a precisão da linguagem do irlandês lhe garantiu entrada na minha galeria pessoal. Depois disso, li Fantasmas e os Infinitos. mas hoje é de Doutor Copérnico que vos quero falar, um trabalho minucioso de recriação da vida e das inquietações do homem que ousou defender o heliocentrismo, mesmo sem acreditar na sua capacidade de prová-lo.

Doutor Copérnico faz parte de uma colecção de três volumes que Banville dedicou àqueles que considera serem o trio revolucionário: Copérnico, claro, Kepler e Newton. Quero ler também estes dois últimos, mas não me parece que estejam traduzidos para português. Também quero ler O Mar, Man Booker Prize 20015, que foi traduzido entre nós mas, inexplicavelmente, não consigo encontrar à venda; e ainda A Guitarra Azul, a que Eduardo Pitta atribuiu 5 estrelas, concluindo a sua crítica com a seguinte frase: «É raro, mas acontece: um romance em que nenhuma palavra é supérflua.»

Bem, mas voltemos ao Doutor Copérnico, nascido Nicolau, em 1493, em Torum, na antiga Prússia (hoje, Polónia). Uma criança brilhante, introspectiva, que foi forçada a aproximar-se do pai quando a mãe morreu, e com ele aprendeu que seria mercador quando fosse grande; e que foi forçada a deixar a sua terra quando o pai morreu, sob responsabilidade do tio Lucas, para ir estudar para Włocławek.

.

«Era o Vístula, o mesmo rio que banhava em vão o lodo inesgotável de Torum – ou seja, o nome era o mesmo , mas o nome nada significava. Aqui o rio era jovem, por assim dizer, um regato límpido e veloz, enquanto lá era velho e cansado. E no entanto estava simultaneamente aqui e lá, era novo e velho simultaneamente, e a sua juventude e velhice não eram separadas por anos mas por léguas. Murmurou em voz alta o nome do rio, e de repente estilhaçaram-se nessa palavra os conceitos do espaço e do tempo.»

«Tornara-se uma coisa sem substância, uma teia de ar ondulado ao sabor de rubros ventos. Sentia-se esfolado, privado da pele vital que o protegia. Toda a superfície do corpo lhe doía, carne, unhas, cabelos, os próprios filamentos dos olhos, na ânsia de algo que ele não sabia nomear nem tão-pouco imaginar. Na missa espreitou, da galeria do coro, as mulheres da cidade ajoelhadas lá em baixo, no meio da congregação. Eram criaturas irremediavelmente corpóreas. Mesmo as mais jovens e graciosas de entre elas estavam muito longe de igualar os espíritos bruxuleantes e cantantes que voavam ao seu encontro na escuridão das suas noites agitadas. Tão-pouco podiam reconfortá-lo os rapazinhos choramingas e malcheirosos que percorriam o dormitório arrastando os cobertores pelo chão, oferecendo-se em troca do consolo de uma cama partilhada. O que procurava era algo diferente da mera carne, algo feito de luz e ar e de uma alegria grave e maravilhosa.»

«- Pensa nisto, meu filho, escuta: todas as teorias não passam de nomes, mas o mundo em si é uma coisa.»

Estuda matemática e astronomia em Cracóvia mas acaba por ser empurrado para Teologia, em Roma, quando o tio é nomeado Bispo da Igreja Católica.

«Ele tinha uma consciência nítida da sua condição de estrangeiro, e sentia saudades do frio do norte. Este não era o seu mundo, este calor, estas paixões estridentes, este ar sufocante e raso que tão pesadamente lhe caía nos pulmões, como o hálito de outra pessoa; nada aqui o tocava, e ele não tocava coisa nenhuma.»

Regressa à Prússia já formado em Direito Canónico, onde o espera um lugar de Cónego. E é aí que vive o resto dos seus dias.

«Tinha trinta e três anos; estava a perder os dentes. A vida fora outrora um sonho luminoso e límpido que o esperava alhures, para lá da desilusão dos dias vulgares, mas agora, quando olhava para esse lugar outrora ocupado por um deslumbrante vaso doirado de possibilidades via apenas um ser vago e sombrio, de membros mutilados, a vogar na sua direcção. Não era a morte, mas sim algo bem menos nítido. Era, imaginava ele, o fracasso. Aproximava-se um pouco mais a cada dia que passava, e cada dia ele facilitava um pouco mais a sua vinda, pois não era o seu trabalho – o seu verdadeiro trabalho, ou seja, a astronomia – um processo de fracasso progressivo? (…) Pensava que o explanar da sua teoria seria coisa pouca, mero trabalho rotineiro, de desbaste: mas era mais do que desbaste, afinal, uma autêntica carnificina.
(…) E no entanto, paradoxalmente, era feliz, se é que podemos usar tal palavra. Apesar do sofrimento e das desilusões repetidas, apesar do vazio da sua vida pardacenta, não havia no mundo felicidade que se comparasse àquela dor deliciosa.»

«Julgara ser possível dizer a verdade; agora via que apenas o dizer podia ser dito.»

Em 1543, Copérnico morre em Frauenburg, no mesmo ano e na mesma cidade em que é editada a sua obra Da revolução de esferas celestes.

«-Dizei-me, Osiander – perguntou – dizei-me sinceramente: é demasiado tarde para deter a publicação? É que, se fosse possível, eu detê-la-ia.»

«Copérnico não acreditava na verdade. Creio que já tive ocasião de dizer isto.»

O ambiente dissoluto dos colégios e das universidades que frequenta, mesmo sob os auspícios de Roma; a vida de perdição escolhida pelo seu irmão e punida com a mais denunciadora das doenças; a prima com quem coabita, numa situação dúbia, que incomoda a Igreja; a sua reclusão e o aturado trabalho de investigação em astronomia, por detrás da capa de cónego; pecado e expiação, tormenta e beatitude sempre lado a lado, tão próximos que, muitas vezes, se confundem.

Não há ficção como a realidade.

Beijinhos a todas,

Marta

Tags:

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·

Pedro, o justo

por , em 5/3/17

68c1ea2d5ef6d60df020e251851d1882-bigbook

Queridas Senhoras,

sai a 17 de Março novo volume dos textos do blogue de Pedro Mexia, Malparado Diários 2012-2015. Segue-se a Lei Seca (2009-2012), Estado Civil (diário de uma crise, 2006-2008) e Prova de vida (2004-2006).

Entramos nestes diários como quem pisa território sagrado. É com reverência que acedemos a revelações que “teríamos pudor de contar seja a quem for” e como leitores sentimos também algum pudor em entrar na intimidade desta persona, do alter ego que assina estes diários, registando laboriosamente ao longo dos dias, dos anos, reflexões mínimas, episódios quotidianos, lembranças, gostos, desabafos, arrependimentos, obsessões, vagas esperanças, por vezes, mas sobretudo melancolia, passado, memória.

Não há uma palavra a mais. A escrita é sempre justa, concisa, precisa, tanto no sentido de exacta como de necessária. Concisa mas não elíptica. Codificada mas não em demasia. O território é sagrado e tem os seus rituais, estabelecidos e ratificados ao longo dos anos. Mas não é indispensável dominar os códigos para usufruir da leitura. Conhecê-los é ter acesso a uma espécie de chave interpretativa. Há temas recorrentes e através dessa chave podemos extrapolar, conseguimos quase adivinhar o que o autor pensaria disto ou daquilo.

Há músicas, bandas, filmes, autores, textos, poemas, citações, referências que reaparecem em diferentes contextos porque são elementos essenciais deste universo que vamos aprendendo a identificar e a interpretar. Há pouco tempo li (julgo que foi no livro do Ricardo Araújo Pereira) sobre uma técnica de escrita de comédia que consiste em tornar o banal notável e o contrário, tornar trivial o que é raro. PM faz isso sem efeitos de comicidade. Uma banalíssima frase escutada no café reveste-se de significado quase divino. Um evento importante, pelos padrões gerais, é registado de passagem, apenas inventariado.

Nunca os blogues de onde estes diários provêm tiveram caixas de comentários, o que seria absurdo, quase uma profanação. O templo deve ser preservado. A escrita é íntima e a leitura ainda mais. Os textos são justos, limpos, definitivos. Dispensam comentários.

Beijinhos a todas,

Céu

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·

Quem fica com quem

por , em 2/3/17

500_9789722054348_o_enredo_conjugal
Queridas Senhoras,

ao contrário do que o título possa fazer supor, O Enredo Conjugal não versa sobre as agruras do casamento, o tédio pesado ou a tensão nervosa que caracteriza muitas das representações literárias dessa mui glosada instituição. A história posiciona-se antes de tudo isso, sendo quase um romance juvenil, pós-adolescente, ou melhor, pós-universitário.

Não se consegue pousar este livro (eu não consegui), muito novelesco, cheio de peripécias, quer acontecimentos de facto, quer, sobretudo, divagações mentais das três personagens nucleares. O clássico triângulo amoroso é aqui protagonizado por Madeleine, Leonard e Mitchell, jovens, belos e cultos. Estamos no olimpo da juventude universitária. Nem todos de boas famílias mas igualizados, como às tantas se diz, pela frequência da mesma universidade, a Brown, Providence, Rhode Island.

Vamos encontrá-los no dia da formatura, vinte e poucos anos, e o enredo desenrolar-se-á num espaço temporal relativamente curto, não avançado para lá do limiar da entrada da vida adulta. Algumas incursões à infância permitem-nos conhecer um pouco melhor o passado dos três mas a acção central decorre no tempo presente da narrativa, situado na década de 80 do século passado.

O enredo conjugal a que o título faz referência alude a um sub-género literário muito em voga no século XIX, cultivado por autoras como Jane Austen e George Eliot, que basicamente trata da velha questão que ainda hoje é a linha narrativa central de muitas novelas: saber quem fica com quem e o que acontece pelo meio.

A literatura acompanha de perto a evolução amorosa e espiritual das personagens. Madeleine, estudante da especialidade, apaixona-se e vigia de perto o seu estado lendo Fragmentos de um  Discurso Amoroso de Roland Barthes. Leonard, dividido entre estudos religiosos e científicos, tem de lidar com uma doença mental grave, a psicose maníaco-depressiva, e o seu consolo é saber que vários grandes génios, das artes e das ciências, padeceram do mesmo. Mitchell, um teólogo em formação, empreende o seu grand tour no final do curso, atravessando a Europa e conseguindo chegar à Índia, onde espera alcançar simultaneamente a revelação e o esquecimento (de Madeleine).

Um romance tão fresco, vivo e vibrante que nos leva a perguntar onde param os nossos vinte anos, sem que tenhamos a certeza se gostaríamos realmente de repetir semelhante aventura. Há uma excepção à leveza que atravessa estas páginas (o mal de amor juvenil é muito relativo): é a descrição dura, paralisante, dos períodos depressivos de Leonard, o único que tem de facto um problema sério. De resto, todos atravessam um Verão complicado mas aventuroso, enquanto decidem onde irão viver, que estudos irão prosseguir, quem irão amar.

Beijinhos a todas,

Céu

Tags:

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·

Choose nostalgia

por , em 26/2/17

2801newfilmpic

Queridas Senhoras,

desculpem a heresia mas a verdade é que não me recordo muito bem do primeiro Trainspotting (1996). Tinha 23 anos, já não era nenhuma criança, mas não fiquei com grande memória, tirando a cara meio louca do querido Ewan McGregor e o Choose life.

Se calhar porque não era a minha cena. Não me identificava nem com o submundo dos agarrados marginais nem com a vida burguesa que Choose life caricaturava. No meu caso seria mais: Escolhe a vida. Escolhe uma casinha decrépita no campo, cria galinhas e planta a tua horta. Não aconteceu.

Vinte anos passaram e mesmo não tendo Trainspotting como uma referência fundamental da minha juventude, se há coisa que sou é nostálgica. Fazer turismo pela própria juventude, como diz Simon a Renton, é um dos meus passatempos preferidos. Ver o que foi feito do pessoal, saber o que ainda resta para quem tinha 20 anos há 20 anos.

E é um gozo, mesmo assim, reencontrar aquela malta de quem não me lembrava muito bem, excepto o simpático Renton/Ewan, que não envelheceu nada mal. E diverti-me apesar de reconhecer que T2 Trainspotting não é um grande filme (mas ainda se fazem grandes filmes?).

Diverti-me à grande quando Simon e Renton vão apresentar o seu projecto para a transformação do velho pub da família, na zona portuária de Leith, e metem lá os clichés hipsters todos, a requalificação, a treta comunitária, o raio da comida biológica. Reconhecemos tudo porque a cena é global. Podia ser em Xabregas. Fucking hipsters junkies, armados em empreendedores.

Diverti-me muitíssimo com Spud (Ewen Bremner), o único que ficou irremediavelmente agarrado, que não fez nada da puta da vida a não ser tentar ser um bom pai, falhar, e continuar a tentar até ao fim. E o filme ainda lhe dá a justiça poética de se tornar o narrador dos épicos falhanços daquela malta toda.

Por isso, sim, escolham ver T2 Trainspotting e tirem as vossas próprias conclusões. Se forem sensíveis a isso, há uma cena em que o Renton/Ewan ainda dança.

Beijinhos a todas,

Céu

Tags:

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·

Manga curta

por , em 26/2/17

IMG_1316

 

Queridas Senhoras,

hoje, dia 26 de Fevereiro, corri de manga curta. Foi o primeiro dia do ano em que tive de atar a camisola à cintura e correr de braços ao léu. É muito bom, sim senhora, vem aí a Primavera e tal, só que nem dei conta de o Inverno passar. Quase não corri à chuva, luvas e gorro só levei uma vez. Portanto, basicamente, o Inverno são uns diazinhos de chuva que, por muito que aborreça não conseguir secar a roupa, passam tão rápido que não se dá por eles. Mais uns diazinhos de frio, ai que frio, ai que frio, e quando damos por ela também já foram.

Como é que é mesmo? Se o tempo passa rápido é porque estamos velhos, tristes ou felizes? Nunca sei. O tempo passa rápido porque os dias são chatos ou interessantes? Os meus dias são maravilhosamente iguais e não me aborrecem nada. Passo o máximo de tempo possível na rua, nos jardins, à janela, no quintal. A felicidade é sentir as diferenças de temperatura em cada dia, a intensidade da brisa, do vento, da chuva, o chilrear dos passarinhos. Hoje a brisa e os cheiros eram claramente primaveris, a passarada chilreava que era uma festa e algumas borboletas de cor clara passaram rente aos meus braços nus marcando a cadência da passada no chão da mata, ainda húmido das últimas chuvadas.

Os meus dias são deliciosamente iguais mas aflige-me que passem tão depressa. Já aqui o disse, não vou viver suficientes manhãs, manhãs maravilhosas de Primavera, Verão, Outono e Inverno. Por exemplo, hoje estava enevoado. Mas às tantas abriu o Sol. E no silêncio divino da manhã de domingo os raios trespassaram a folhagem, os passarinhos cantaram, etc. É sempre o mesmo e é lindo, lindo, lindo.

Choveu muito há umas semanas e a mata está profundamente fresca e irrigada. Mas há-de ser um instante até começar correr de calções e ter vontade de cortar o cabelo. Como sempre acontece no Verão.

Beijinhos a todas,

Céu

Tags:

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·
Questionário ‘Ter 40′