Domingo, 5 Março 2017

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Queridas Senhoras,

sai a 17 de Março novo volume dos textos do blogue de Pedro Mexia, Malparado Diários 2012-2015. Segue-se a Lei Seca (2009-2012), Estado Civil (diário de uma crise, 2006-2008) e Prova de vida (2004-2006).

Entramos nestes diários como quem pisa território sagrado. É com reverência que acedemos a revelações que “teríamos pudor de contar seja a quem for” e como leitores sentimos também algum pudor em entrar na intimidade desta persona, do alter ego que assina estes diários, registando laboriosamente ao longo dos dias, dos anos, reflexões mínimas, episódios quotidianos, lembranças, gostos, desabafos, arrependimentos, obsessões, vagas esperanças, por vezes, mas sobretudo melancolia, passado, memória.

Não há uma palavra a mais. A escrita é sempre justa, concisa, precisa, tanto no sentido de exacta como de necessária. Concisa mas não elíptica. Codificada mas não em demasia. O território é sagrado e tem os seus rituais, estabelecidos e ratificados ao longo dos anos. Mas não é indispensável dominar os códigos para usufruir da leitura. Conhecê-los é ter acesso a uma espécie de chave interpretativa. Há temas recorrentes e através dessa chave podemos extrapolar, conseguimos quase adivinhar o que o autor pensaria disto ou daquilo.

Há músicas, bandas, filmes, autores, textos, poemas, citações, referências que reaparecem em diferentes contextos porque são elementos essenciais deste universo que vamos aprendendo a identificar e a interpretar. Há pouco tempo li (julgo que foi no livro do Ricardo Araújo Pereira) sobre uma técnica de escrita de comédia que consiste em tornar o banal notável e o contrário, tornar trivial o que é raro. PM faz isso sem efeitos de comicidade. Uma banalíssima frase escutada no café reveste-se de significado quase divino. Um evento importante, pelos padrões gerais, é registado de passagem, apenas inventariado.

Nunca os blogues de onde estes diários provêm tiveram caixas de comentários, o que seria absurdo, quase uma profanação. O templo deve ser preservado. A escrita é íntima e a leitura ainda mais. Os textos são justos, limpos, definitivos. Dispensam comentários.

Beijinhos a todas,

Céu

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