Date night

por , em 2/10/16

13769513_605180676328139_4147309169920035695_n

Queridas Senhoras,

um casal vê-se com os filhos entregues aos avós e com a tarde e a noite livres para aproveitar a magnífica e vibrante cidade de Lisboa. Os concertos do Dia Mundial da Música enchem as praças, corre uma brisa suave e o tempo está por nossa conta. Na hora de escolher um restaurante para jantar, a ansiedade instala-se. Percorremos o Chiado, as montras sugestivas e os letreiros catchy sucedem-se. À vista de tanta elegância, sofisticação descontraída e empreendedorismo, não distinguimos logo o que estamos a ver, se é uma tasca hipster ou uma loja trendy de moda e acessórios. Sabemos lá se os designers de tabernas não decidiram agora que é para pôr ténis e mochilas na montra.

Uma consulta à Zomato diz-nos que o novo peruano custa 50€ para 2 pessoas e os comentadores confirmam os preços elevados, ainda que justificados pela “experiência gratificante”. Diz que os pãezinhos a vapor de Taiwan também não saem baratos e nem sequer ficam nesta zona da cidade. Procuramos em vão uma lista de sítios para “casais suburbanos que querem experimentar uma coisa gira até 30€/2 pessoas”.

Com o olho no Cais do Sodré, descemos a Rua do Alecrim. No Palácio Chiado, com as suas pinturas, escadarias e tectos altos, toda a gente bebe gin. O Olivier assa frangos mais abaixo e há um bar de peixe só com um balcão a toda a volta da sala. A esplanada do espanhol, nas escadinhas, tem bom ar mas faz-se pagar bem.

O mexicano está cheio de gente, provavelmente muito à vontade com tacos e margueritas. Não somos nós. A steakhouse está igualmente composta, a clientela não de deixou demover pelos preços elevados da carne maturada a 21 dias.

Avistamos o tal peruano da moda, brilhantemente iluminado e espelhado, e, do outro lado da estrada, o nosso destino desconhecido: Salsicharia Vienense.

São só salsichas, é verdade, mas o adjectivo “vienense” empresta um glamour, uma erudição até, que acaba por salvar a noite (e combina com o Dia Mundial da Música). Por um custo muito razoável, temos o nosso jantar a dois e até podemos comentar, na altura da sobremesa, “ah! as pastelarias de Viena.”

Sim, porque nós já estivemos em Viena. E ainda que tudo seja uma única e indistinta noite distante – Paris, Viena, Florença, Roma – podemos fintar o casal suburbano e fingir uma familiaridade cosmopolita com as pastelarias de Viena, os bistrots parisienses e as trattorie florentinas.

A ementa não oferece dificuldades de maior mas ainda assim temos que escolher o tipo de salsicha, entre muitas variedade de wurst. Há uma lista igualmente extensa de cerveja artesanal com explicações complicadas sobre harmonização. É com alívio que peço uma imperial industrial.

Acabamos de jantar tão cedo que os mais jovens devem ter acordado há pouco da farra da noite anterior. Que nos importa se comemos a nossa wurst com batatas wedge e uma fresca torte de framboesa e maçã. Tal e qual como nas pastelarias de Viena.

 

Beijinhos a todas,

Céu

Tags: ,

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·

Restaurantes zen

por , em 8/9/16

355221

Queridas Senhoras,

adoro restaurantes vegetarianos, tanto pela comida como pelo ambiente. Normalmente não almoço fora, sentada, de faca e garfo. Costumo comer uma sopa e trazer o resto de casa (sandes, fruta, etc.) Detesto perder a hora de almoço em restaurantes barulhentos, onde a homenzarrada dos escritórios vai discutir futebol e deglutir pratos gordurosos e/ou salgados.

Num vegetariano, em regra, não há nada disto. Toda a gente fala mais baixo e os homens conseguem ter conversas tão variadas como as mulheres. Hoje tive de ir ao Rossio e no regresso, ao procurar uma tasca para comer uma sopa, dei com o Arco-Íris Restaurante Vegetariano e Macrobiótico. Duas salinhas serenas e tranquilas e a surpresa de uma esplanada num pátio interior. Este pequeno oásis fica nas traseiras da Av. da Liberdade, na proximidade de dezenas de tascas com entrecosto, favas guisadas, bacalhau com grão (nada contra, mas à tarde também se trabalha).

Gosto da leveza com que se sai de uma refeição num bom vegetariano. Leveza de estômago e de espírito. Aqui não se ouvem talheres a tilintar à maluca, máquinas de café ruidosas, empregados a bradar “sai meia de cozido!”, gargalhadas alarves, TV aos berros e as eternas discussões da bola, imagem de marca do snack-bar português.

Recomendo o Arco-Iris onde almocei, por quatro euros, uma belíssima sopa e um pastel de tofu com salada. Têm variadíssimos menus e conjugações com sopas, vegetais, cereais, prato, sobremesa (o chá é oferta da casa). Para mim chega uma sopa e mais qualquer coisa e por essa razão não gosto do regime de buffet (não tem graça comer à bruta para compensar os 8 ou 9 euros que se paga).

Dentro do género do Arco-Irís deixo aqui as referências dos restaurantes que já visitei e recomendo (cozinha e ambiente são igualmente importantes; não vou ao Celeiro, por exemplo, embora a comida seja aceitável, porque não tem uma atmosfera apaziguante):

Oásis Restaurante Vegetariano (R. Marquês Sá da Bandeira, junto à Gulbenkian) – A melhor cozinha vegetariana que já provei. Abriram recentemente o Oásis II a pouca distância do primeiro, na zona do Rego. O ambiente não é especialmente sereno mas funciona. Muito, muito difícil arranjar mesa à hora de almoço convencional (13h-14h).

Refeitório Hare Krishna  (R. de Dona Estefânia, Saldanha) – Ambiente zen, esplanada no jardim; existe um único menu composto por sopa, prato, sobremesa, chá (7,5 euros), tudo muito bom e saboroso.

Espiral (junto ao Largo da Estefânia) – Julgo que é um dos mais antigos e fiáveis. Comida e ambiente recomendados.

Cafetaria e Restaurante Miosótis (S.Sebastião/Picoas) – Fica no interior das novas instalações do supermercado biológico. Comida muito boa e variada. O ambiente da sala é um pouco cansativo, com alguma fila, muita gente. Tem uma esplanada num pátio traseiro que ainda não experimentei.

 

Beijinhos a todas!

 

Céu

Tags: ,

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·

Cave em palacete de luxo

por , em 29/11/15

12308578_747282942044500_2271246785999247663_n

Queridas Senhoras,

Lisboa tem restaurantes lindos e entusiasmantes, todas as semanas há sítios novos a abrir e, como já disse aqui, fica difícil não querer ir simplesmente a todo o lado. De vez em quando lá tenho que ceder à tentação que uma mulher não é de ferro.

A escolha para um (há muito devido) jantar romântico a dois recaiu no Cave 23, que me apareceu à frente numa revista com um bom aspecto tremendo. E com uma envolvente que me fala directamente ao coração. O restaurante é a mais recente novidade do Torel Palace, uma guesthouse de charme na colina de Santana, zona tranquila conhecida pelos belos palacetes e pelo jardim-miradouro do Torel, um dos menos concorridos, mas não menos bonitos, da cidade.

Ao cimo da Calçada do Lavra, a do elevador homónimo, que vem cá de baixo das Portas de Santo Antão e sobe à dita colina, desembocamos na Rua Câmara Pestana, morada do Torel Palace que surge ao fundo, à direita, com um portão aberto e uma aura de charme.

É o género de sítio que os turistas adoram e que os locais cada vez mais frequentam, aproveitando o bar, a esplanada, o terraço e as vistas sobre a cidade. Isto é válido para os hotéis modernos e modernaços. Mas a Lisboa destes palacetes escondidos, semi-ocultos em ruas pacatas, é outra história, é outro universo.

No Verão, a esplanada do deck bar (como lhe chamam aqui), debruçada sobre a piscina e a vigiar a colina fronteira de São Pedro de Alcântara, é daquelas que fazem capa de revista. Numa noite fria de Inverno, com as luzes da cidade a brilhar e a música a reverberar vinda da Avenida da Liberdade, tem um encanto de outra espécie, que combina com mantas e conversas em voz baixa.

A cave

Ainda não descemos à cave e já escrevi isto tudo. Não é bem uma cave, entenda-se. Fica num piso inferior, numa sala escavada por baixo da esplanada, à qual se acede por uma escada em pedra. O ambiente é mesmo muito acolhedor como se pode ver nas fotos. A iluminação é perfeita, há um candelabro com velas acesas e uma espécie de jardim interior por trás de uma parede em vidro também calorosamente iluminada. Está-se muito, muito bem.

O plano, como sempre acontece em restaurantes caros, é sermos extremamente comedidos. É chato, há algum embaraço ou constrangimento a ultrapassar mas tem de ser assim ou então nunca poríamos os pés em sítios destes.

Aceitamos o couvert que é constituído por três manteigas (simples, de chouriço e de coentros) e um queijo alentejano amanteigado. Acompanha com pão escuro, estaladiço, de miolo fresco.

A carta é muito simples: tem cinco entradas e cinco pratos, identificados pelo ingrediente principal, seguido da descrição dos acompanhamentos. Seguindo o plano à risca, optamos por dividir uma entrada e um prato. O empregado pergunta, à cautela, se estamos com muita fome e asseguramos que não, queremos sobretudo saborear. O pessoal da Amadora é mesmo assim, não tem vergonha nenhuma.

Antes da entrada pedida, chega à mesa um miminho da chefe: Puré de abóbora com sementes de girassol e tiras de cebolinho servido num copo pequeno. Macio e aconchegante.

A entrada chega gentilmente dividida em dois pratos: Lingueirão com quinoa real, chutney de pêssego, cebola roxa e caril. Uma forte e boa combinação de sabores que procuramos fazer durar em garfadas lentas. A quantidade é singela.

Para prato principal decidimo-nos pelo Tamboril com couscous, mexilhões e curcuma que se apresenta igualmente repartido por dois. O delicado pedaço de peixe apresenta uma consistência e sabor perfeitos.

Antes da sobremesa que escolhemos, somos brindados com outro carinho da chefe: um cubo de petit-gateaux de chocolate. Esta surpresa abre caminho para a Abóbora com requeijão, caramelo, amêndoa e pólen. Com o café vem ainda um pratinho de petit-fours.

Quanto é que esta brincadeira custou? Com dois copos de vinho e um litro de água, pagámos 61 euros. Mas fomos realmente pelos mínimos. Se estivéssemos estado mais à vontade, a conta facilmente iria por aí fora.

O cigarro fumámo-lo cá fora, ao cimo das escadas, sentados em dois cadeirões, a olhar o belo perfil do palacete, pintado de um azul forte. Numa das varandas um casal que tinha jantado no restaurante fumava também um cigarro e gozava o ambiente e a vista sobre a noite da cidade.

Beijinhos a todas!

Céu

Tags: ,

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·

RestRetiroMina

Queridas Senhoras,

o restaurante português ao domingo é uma festa. Em geral, ao domingo almoçamos em casa dos meus pais mas no fim-de-semana passado houve uma troca nos dias e, por isso, fomos parar, no domingo, a um restaurante português do melhor que pode haver.

O restaurante português ao domingo é uma alegre confusão mas ninguém se importa com isso. Tem famílias inteiras, com velhos muito velhos e bebés de colo. Dentaduras e chuchas.

No restaurante português, ao domingo, deixamos cair as defesas. Os miúdos podem fazer barulho à vontade, e até partir o ocasional copo. Há sempre mais chinfrineira na mesa ao lado a abafar a nossa.

O restaurante português ao domingo tem um cheiro que identifico logo (não sei se é a mistura das tolhas brancas de papel, o pão de Mafra estaladiço, a carne assada e as batatas fritas), e que me faz lembrar outros almoços de domingo em família quando ainda havia avós e eu era neta.

No restaurante português ao domingo a comida é sempre boa. Isso nem se questiona. É tudo bom, do pão e azeitonas, à carne e ao peixe. Os pratos são carne ou peixe e designam-se por uma palavra. Há bacalhau, polvo, cabrito, borrego, feijoada, favas, cozido. Tão simples como isso. Os acompanhamentos podem ser mais elaborados, admitem duas ou três palavras: batatas a murro ou, se quiserem um toque de sofisticação, migas de espargos.

Ninguém está muito preocupado em fazer contas porque o restaurante português ao domingo é barato. Isso é regra. Vamos comer muito bem, não vamos ter nenhuma desilusão, muito menos no preço. Contudo, para que isso não falhe, há quer gerir bem as doses. A dose no restaurante português ao domingo é uma travessa generosa que abala seriamente até o mais corpulento dos apetites. O desperdício não combina por isso pedem-se as doses à conta e o que sobrar manda-se meter numa caixa para levar. Há-de saber bem ao jantar do dia seguinte.

No restaurante português ao domingo, antes que  lá mais para o final do dia sobrevenha a melancolia, somos descontraidamente felizes. Não pensamos em nada a não ser em comer bem. Comemos batatas fritas sem culpa e molhamos o ovo no pão. Não dispensamos sobremesa. No restaurante português ao domingo, as sobremesas têm nomes antigos que me fazem lembrar a aldeia. Arroz doce há sempre, molotof muitas vezes, profiteroles e, em casos verdadeiramente especiais, um doce de época: farófias.

O restaurante português ao domingo é uma instituição que devemos acarinhar. Como quem não se esquece de visitar os avós todas as semanas,

Onde é que vão almoçar hoje?

Beijinhos a todas,

Céu

Tags: ,

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·

A noite multicultural

por , em 25/1/15

10750240_553803958083993_4403444542986410515_o
Queridas Senhoras,

a S. fez anos. Fomos jantar fora para celebrar, o grupinho habitual. Local escolhido: The Soul Kitchen, um restaurante de influência jamaicana aberto há três meses na zona de Arroios. Uma surpresa completa, um sucesso, uma daquelas noites que vamos recordar por muito tempo. (Lembram-se quando fomos ao jamaicano?)

O que faz o sucesso de um sítio numa altura em que abrem meia-dúzia de novos locais por semana? Este tem vários trunfos, na minha opinião. Para além da cozinha diferente, a localização é interessante. Não está em nenhuma das zonas óbvias. Fica numa transversal da Rua Morais Soares, numa rua residencial sossegada e trabalha à porta fechada. (A localização fez-me pensar nas “zonas neutras” do livro No Café da Juventude Perdida, o segundo Modiano que li, empréstimo da Senhora Marta, de que falarei num próximo post).

No interior a configuração é a de uma casa, com recantos acolhedores, mesas quadradas de sala de jantar, aquecedores antigos. Ao fundo a porta das traseiras dá para um pátio com sofás onde no mês de Outubro, quando abriu, ainda se fizeram alguns dos proverbiais sunsets. Agora que os dias começam a ficar maiores querem começar a abrir ao domingo a partir do final da tarde, para petiscos e música no pátio. (Deve ser ainda melhor do que soa.)

Para a mesa vieram pastéis de carne e vegetais, gaucamole, hummus, estufado de rabo de boi, caril de camarão, frango tostado com molho jerk. E azeitonas e quadradinhos de pão alentejano torrado com azeite e orégãos. Um festim. Tudo isto acompanhado por um serviço impecável, atento, célere, sem tempos mortos mas sem imposições. Juntem ainda três sobremesas para dividir (como tudo o resto, aliás) e o preço de 18 euros por pessoa parece-me justíssimo.

Seguimos depois para o Intendente no nosso périplo semestral para ver como param as modas. (Pelo caminho apanhámos uns espanhóis que só queriam saber onde ficavam os bares frequentados por “pessoas de outros países”. Porque, diziam eles, “os portugueses só falam com portugueses”. Não estou por dentro do que se passa na noite mas pensei que agora, com anos de Erasmus, era tudo uma grande família. Pela minha parte, tentei dizer que sim, hablamos com pessoas de outras línguas. Mas que sei eu?).

No agora tão falado Intendente, as ditas modas são mais alternativas, já se sabe (embora já não me entenda nestes conceitos, os sítios que pegam estão sempre a abarrotar, por isso não são grande alternativa, enquanto suponho que os outros vão ficando às moscas). Excepto umas poucas almas na esplanada do largo, estava tudo enfiado na Casa Independente, uma espécie de Pensão Amor mais linha dura, menos cabaret. Sobem-se as escadas, encontram-se portas e salas onde não cabe um alfinete, não se percebe bem o sítio mas depois percebe-se. É mesmo assim. Felizmente conseguimos descobrir o caminho para o terraço, o local mais desafogado do edifício.

Deixámos os hipsters em paz e seguimos em direcção ao Martim Moniz por uma avenida deserta e pouco convidativa, iluminada pelas lojas de mobiliário espelhado. No final encontrámos a praça vazia, desolada, com tudo fechado. A mudança neste eixo da cidade tem ocupado páginas de revistas e é um facto que muito mudou. Mas nesta noite fria de Janeiro, ainda para mais um sábado, não sentimos que fosse seguro ou sequer muito recomendável percorrer estes caminhos a pé. (A minha mãe que não me ouça.)

 

Beijinhos a todas,

Céu

Tags: ,

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·

DSC_0898

Queridas Senhoras,

ontem, depois de levar a Alice a uma festa de anos, dei por mim com tempo para gastar e resolvi ir espreitar o novo e tão falado Mercado da Ribeira.

Isto às vezes é “em casa de ferreiro espeto de pau” (por exemplo, ainda não fui ao Mercado de Campo de Ourique desde que reabriu há mais de 6 meses em versão tasquinhas); por dever profissional, deveria saber do que ando a falar por isso sempre que possível, e naturalmente também por gosto pessoal, não descanso enquanto não for avaliar com os meus próprios olhos.

Levava na ideia algumas críticas que têm corrido como o facto de estar muito cheio, o espaço ser um bocado atravancado, fazer lembrar as praças de restauração dos centros comerciais, etc.

Em relação à comparação com estes últimos: o Mercado da Ribeira é um edifício histórico do coração da cidade, reabilitado para o lazer e para a fruição. Os centros comerciais são, em regra, estruturas imensas situadas nas periferias, servidas por redes infernais de estradas e viadutos. Como é possível comparar?!

Ao Mercado da Ribeira chega-se a pé, de eléctrico, de autocarro, de metro, de comboio e até de barco! Os acessos são fantásticos, a escala é humana e não automóvel. Verdadeiramente, o que mais me incomoda nos centros comerciais é o facto de estarem tão desenhados para o automóvel ou para a pessoa acoplada ao seu automóvel, como se fossem um só (este não é o assunto do post mas a “cultura automóvel” dominante faz-me muita comichão…).

Portanto, a escala humana, próxima, citadina, acessível, é o que me agrada em primeiro lugar. Depois, agrada-me a enorme esplanada voltada para um jardim cuidado, onde não falta um parque infantil. Perfeito para famílias, por exemplo para um domingo de manhã, podendo os pais desfrutar de um brunch na esplanada (não é só a malta sem filhos que tem direito a estes mimos, ok?), enquanto os miúdos brincam no parque.

Lá dentro, claro que é um pouco difícil circular e não aconselharia ninguém a tentar percorrer os corredores das tasquinhas com um carrinho de bebé. Pelo menos não nesta fase inicial de enorme afluência.

Quando aos comes e bebes, se o formato até pode ser aproximado ao dos centros comerciais, o conteúdo é bem diverso. Em vez das vitaminas e sumos cediços supostamente saudáveis, das sandes anémicas cheias de molhos gordurosos, das pizzas e do sushi manhoso, o que temos é um autêntico festival gastronómico!

Provar só provei um croquete de alheira de caça e grelos da Croqueteria que marchou com a bela da imperial. Esta Croqueteria beneficia do facto de estar retirada do quadrado central, meio escondida, pelo que fui atendida com toda a simpatia e atenção e desfrutei de um confortável lugar ao balcão enquanto deglutia o meu croquete ainda quente. Hmmm….

No topo reservado aos chefes, pelo menos dois deles estavam lá a cozinhar em pessoa – Vitor Claro e Alexandre Silva – e o ambiente era francamente de festa. Vários empregados solícitos (e bem parecidos, há que dizê-lo) explicavam pacientemente a um público ávido de informação e petiscos, cada uma das propostas do dia. A frequência pareceu-me variada, havia pessoas dos 8 aos 80 (8 meses, bem entendido), gente de todo o tipo (antes tinha estado na LXFactory onde, apesar de gostar do local, espanta-me sempre um pouco o facto de a frequência ser tão uniforme, ou seja, gente cool, muito ligada à cultura urbana).

Como disse, não tenho termo de comparação. Ainda não visitei sequer o Mercado de Campo de Ourique e muito menos os mercados que pela Europa fora, segundo ouço dizer, há muito que seguiram este caminho (que bem ficaria aqui dizer que sim, que já frequentei sítios deste género em Madrid, Amesterdão ou Berlim!…) mas parece-me que o novo Mercado da Ribeira já está a ganhar aos pontos.

 

Beijinhos a todas, boa semana

 

Céu

Tags: ,

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·
Questionário ‘Ter 40′