Terça-feira, 29 Novembro 2016

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2ef0636670e1132d43e6f5a7a6d1a52e-bigbookQueridas Senhoras,

em primeira mão para o Senhoras da Nossa Idade, trago o review do novo livro de Ricardo Araújo Pereira, A doença, o sofrimento e a morte entram num bar – Uma espécie de manual de escrita humorística.

Não contem comigo para dizer mal do RAP mas chamar livro a estas 118 páginas muito bem encadernadas, com a chancela da super cool Tinta da China, é talvez exagerado. O livrinho é mais um opúsculo, vá, um artigo de imprensa extenso que poderia perfeitamente figurar numa daquelas revistas literárias de intelectuais.

Posto isto, repito, não contem comigo para dizer mal do RAP. O rapaz precisa de ter obra nova à venda no Natal e em vez de compilar mais um volume de crónicas ou mixórdias, enveredou pelo ensaio sobre o humor. E enveredou muito bem. Mas pouco. Muito pouco, há que convir. Duas horas bastam para ler o livrete com calma. São muitas as citações, algumas extensas e paginadas com largueza.

Mas não contem comigo para dizer mal do RAP. Antes 100 páginas de boa prosa “araujiana”, com abundância de referências, da antiguidade clássica a Seinfeld, do que 300 de tanta xaropada que para aí ainda. Mas, ainda assim, é pouco, muito pouco. Uma pessoa começa a tomar-lhe o gosto e aquilo chega logo ao fim. Os exemplos e citações são úteis, cultos e curiosos. Mas ocupam um terço de um livrinho já de si avaro nas páginas.

Porém, não contem comigo para dizer mal do RAP. Até porque, em poucas palavras (muito poucas!), com a erudição que lhe conhecemos, ele convoca uma série de autores e textos, estabelece relações entre eles, ilustra, elucida, revela, desvenda os mistérios do humor. Elenca (sim, ele também faz isso) os recursos mais frequentes e eficazes da matéria humorística. A imitação, a repetição, o exagero, a contradição, a deslocação.

Para compor o ramalhete, há um preâmbulo (reparem, não é um reles prefácio, é coisa muito mais fina) e uma conclusão. E um índice remissivo. O que se torna involuntariamente cómico porque um índice deste género é normalmente incluído em livros mais volumosos. E, no entanto, é notável a quantidade de autores e textos que RAP logrou (sim, ele também logra coisas) integrar na sua singela obra. De personagens bíblicas a Kramer (Seinfeld), d´Os Maias a Quentin Tarantino, passando pelos inevitáveis Monty Phyton, Woody Allen, Larry David e tantos outros, estamos perante um verdadeiro compêndio (mini-compêndio, pronto) de figuras, reais e ficcionais, ligadas ao humor.

Por tudo isto, queridas Senhoras, reitero: não contem comigo para dizer mal do RAP!

Beijinhos a todas,

Céu

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