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Queridas Senhoras,

claro que queremos é que eles sejam felizes e bla bla bla, a fazer o que gostam bla, bla, bla tomáramos nós que eles arranjem empregos onde não sejam (muito) explorados, bla, bla, bla.

Mas ontem a minha filha perguntou-me que trabalho é que eu achava que seria bom para ela. Instintivamente respondi: bibliotecária!

Não é uma profissão bonita?

Imagino-a numa grande e sofisticada biblioteca, como a nova Fábrica das Palavras em Vila Franca de Xira, num ambiente de silêncio cheio, muito concentrada, a planear actividades engraçadas para pequenos leitores.

Não me digam que acham que estou a projectar na minha filha os meus próprios anseios. Não…

(O João ainda é muito “infantil”. Não consigo imaginar para ele senão profissões um pouco fantasiosas, como polícia ou bombeiro).

E vocês? O que vos ocorre?

Beijinhos a todas,
Céu

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Queridas Senhoras,

hoje estou especialmente assoberbada e tenho apenas uma questão para colocar. Depois de ler na blogosfera o enésimo desabafo de uma mulher/mãe/trabalhadora, fiquei a matutar no seguinte: já repararam como é raro lermos/ouvirmos desabafos deste género por parte de homens????

Eles andam com uma vidinha muito desafogada, não querem dar parte de fracos, não gostam de desabafar ou o que é que se passa? Tirando o À Paisana, que deve andar de facto aflito e tem estado arredado do nosso convívio, onde estão os daddy blogs de pais em transe? Onde estão os homens à beira de um ataque de nervos?

Por que é tão raro lermos relatos, na primeira pessoa, de como é difícil conciliar a vida profissional com a vida familiar? Enquanto que, por parte das mulheres, estes testemunhos são diários?

Fica a questão.

Ah, e não vale responder que estão demasiado “ocupados” para contarem como andam demasiado ocupados.

Beijinhos a todas,

Céu

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Ana

  • O melhor e o pior

O melhor foi um clique que me deu, um mês antes de fazer 40 anos. Estava de férias e apercebi-me que metade das chatices que viviam na minha cabeça nunca se chegavam a confirmar. Preocupava-me por antecipação. Cortava os pulsos todas as semanas. Deixei-me disso. Cada vez que há qualquer coisa que não controlo que ameaça dar-me cabo da cabeça, faço de Doris Day e canto o “Que sera, sera” o mais alto que consigo. E foi assim que ganhei alguma paz de espirito.

O pior foi o peso de dizer “tenho 40 anos”, porque na realidade olho-me ao espelho e continuo a ver uma miúda de vinte e tantos. Mas aprendi a não levar o número a sério.

  • As surpresas e as desilusões

Não foram muitas. Ou as que aconteceram não foram nada de extraordinário. Ou pouco importantes. O que me surpreendeu brutalmente, foi acordar no dia dos meus anos e sentir-me na mesma.

  • As conquistas e as perdas

Perdi os 30. Ganhei os 40. Conquistei o direito de fazer várias coisas (se calhar sempre o tive e a minha cabeça é que achava que não, mas já é um princípio), especialmente fazer o que me dá na bolha.

  • O que mudaria, se pudesse, mas não posso; e o que mudaria, se pudesse, e posso
Largava o emprego, se pudesse, e passava os dias por casa (às vezes vejo-me como uma reencarnação da Ana dos Cinco, lembram-se? Era a que ficava para trás a fazer caminhas nas grutas e a arrumar a despensa) a trabalhar no meu blog, a passear para alimentar o blog, mas como não posso, por lá continuo.
Posso mudar – e tenho vindo a mudar – a minha maneira de ver as coisas. Deixei de ser tão contestatária e passei a ser mais “vive-e-deixa-viver”. Ah sim, e passei a acreditar na justiça divina (ehehehehehe!)
  • O meu grau de satisfação com a minha rotina diária, de 0 a 10

7, com valores mais baixos durante a semana e mais altos ao fim de semana. A bater o zero nos dias em que preciso de tempo para mim e não consigo.

  • Recados para mim aos 20

Não esbanjes dinheiro em cenas parvas; Aproveita os bilhetes de avião de borla que vais ter durante anos e viaja para te divertires não só em trabalho; não te esqueças de ligar mais aos amigos. É verdade que voltam mais tarde, mas nunca fiando; e nunca te desligues do Porto

  • Votos para mim aos 50

Que tenha a saúde de hoje, que tenha deixado de fumar. Que a minha pele continue fantástica (porque isto de ter pele oleosa não são só más noticias). Que o meu filho não perca o juízo. Que o meu marido ainda ande por aí a largar migalhas no balcão da cozinha. Que continue a gostar de escrever e que tenha recuperado a disponibilidade e a paciência para ler, perdidas quando o meu filho nasceu.

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Obrigada, Ana.

Para participar no nosso questionário ‘Ter 40′, basta enviar as respostas por email. Saibam mais aqui. Até já.

Marta

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Os mediadores

por , em 16/10/14

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Queridas Senhoras,

gosto muito das crónicas da Alexandra Lucas Coelho. Nunca li os livros mas acompanho os textos de domingo na revista do Público e também aqui. A Alexandra é uma das minhas mediadoras preferidas.

Nesta avalanche de factos, opiniões, comentadores, personalidades, figuras, casos e indignações diárias, torna-se fastidioso acompanhar os temas, as polémicas, seguir os opinadores. A compulsão da opinião a todo o momento. Gosto dos cronistas que mantêm uma certa distância em relação a tudo isso, que não vivem em função dos casos do dia. E gosto do ritmo de ler uma crónica semanal, refletida, bem escrita, extensa. Como as da Alexandra. (Outros exemplos: Pedro Mexia, António Guerreiro).

Trago aqui o caso da Alexandra porque sinto que ela é uma mediadora especialmente boa. Pela abrangência e relevância dos temas, pela profundidade, pela mundividência, pela ligação entre tópicos, por uma ausência de vaidade. Dou atenção e valor ao que ela escreve, fico genuinamente interessada. Sinto que se ela escolheu falar de um determinado tema é porque o assunto é mesmo relevante. Percebo que ela escreve bastante sobre o seu universo particular (o que a rodeia, os seus amigos) mas fazendo sempre a ponte para o geral. O que podemos extrair como “lições”.

Hoje li esta crónica e dei por mim interessadíssima na questão das alterações climáticas, um tema acerca do qual mantenho uma vaga preocupação. Leiam a forma como ela explica, com o caso concreto do seu amigo e vizinho Zé (o agricultor biológico que lê Agamben e de Espinoza), o que se está a passar com a azeitona no Alentejo.

Sei que ela escreve muitas vezes sobre artistas seus amigos ou conhecidos. Mas declara logo que o são por isso nunca me passa a ideia de estar a “promover” gratuitamente a sua rede de contactos. Serve-se desses exemplos para ilustrar casos mais gerais.

E apesar da complexidade de muitos dos seus escritos, de mil referências que não identifico, a ideia que passa é sempre de simplicidade, de humildade, a tal ausência de vaidade. É difícil fugir nem que seja a uma pequena vaidadezinha e desculpo isso em muita gente. Mas a Alexandra parece ter uma vaidade pura, honesta.

Olhem, utilizando a linguagem do Holden Caufield, acho que ela não é nada “phony.”

Beijinhos a todas,
Céu

P.S. Alguém já leu algum dos livros dela?

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Rol de livros

por , em 13/10/14

 

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Queridas Senhoras,

não sei se estão familiarizas com o site Leitura@Gulbenkian. Já me tinha deparado por diversas vezes com este site mas nunca tinha atentado nesta ferramenta: Rol de Livros.

Rol de Livros é o nome pelo qual se designa o vasto conjunto de recensões críticas sobre o que de mais relevante entre nós se edita desde os anos 60 do passado século, quer se trate de originais portugueses, quer de traduções. Actualizada mensalmente, esta rubrica inclui apreciações feitas por quarenta e seis personalidades, cujos nomes poderá encontrar no campo Autor Recenseador, na pesquisa.

Tem livros publicados entre 1960 e 2012. É um mundo. Descobri-a quando procurava informações sobre um livro que a Alice escolheu na biblioteca e estamos agora a ler: As Aventuras de Thore Isbiorn no País dos Esquimós. E dei com esta recensão com um formato deliciosamente vintage.  O recenseador dá apenas suficiente +. Mas nós estamos a gostar.

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Movida pela curiosidade procurei a ficha sobre As Aventuras de João Sem Medo, de que já falei aqui, e que considero o melhor livro que já li com os miúdos. Esta obra é objecto de várias recensões, a mais antiga datada de 1970 e a mais recente de 2010.

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Procurei ainda outro livro que lemos há não muito tempo e que incluo nessa lista particular de “livros para crianças que os adultos gostam de ler”. É o Dentes de Rato de Agustina Bessa-Luís do qual não esquecemos a imprevista personagem de Lourença. Lembrei-me desse livro hoje por causa desta entrevista.

E aqui está a recensão de Dentes de Rato:

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A ferramenta permite pesquisar por idades. Escolhendo a faixa etária 6-12 anos, obtenho uma lista com 966 resultados.

Já tenho com que me entreter.

Beijinhos a todas, tenham uma boa semana,

Céu

 

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Queridas Senhoras

ontem fui ver o thriller do momento: Gone Girl /Em Parte Incerta de David Fincher, adaptação do livro homónimo de Gillian Flynn (sobre o qual escrevi aqui) que também assina o argumento.

Isto sim, é um regresso ao cinema em condições. Depois de sete meses sem frequentar uma sala de cinema para ver um filme de adultos, foi Woody Allen quem me fez quebrar o jejum. Pela primeira vez sai desiludida de um filme dele. Na semana seguinte acato o conselho de uma amiga e vou ver a comédia francesa Que mal fiz eu a Deus? Que mal fiz eu para seguir conselhos destes…

E eis que, em pulgas para ver o resultado da transposição para o cinema de um livro tão empolgante e cinematográfico, tive realmente direito a uma rentrée como deve ser.

Sem querer desvendar absolutamente nada sobre a história, direi apenas que este é um thriller que nos enche por completo as medidas. Mesmo com a desvantagem de já conhecer o enredo (mas na expectativa de descobrir as diferenças), instalei-me confortavelmente para ser surpreendida, arrebatada, enganada, tudo ao mesmo tempo.

Quem não leu o livro, e gosta do género, tem aqui perto de três horas de puro prazer. Confesso que este é o género de filmes que me dá mais prazer assistir. As comédias podem ser forçadas e constrangedoras, os dramas difíceis e chorões, o terror tolo e despropositado. Mas um thriller eficaz, com tudo no sítio, ainda para mais tendo como pano de fundo o quotidiano, a intimidade (de uma família, de um casamento), que se vai desdobrando em revelações e perturbações, ah!, isso é do melhor que me podem dar. É o género que mais bem representa o lado de evasão do cinema, no sentido em que consigo de facto não pensar em mais nada. Deixo-me apenas envolver naquela trama, saboreando cada twist do enredo.

O paradigma é Hitchcock e sempre será. Mas de vez em quando, muito de vez em quando, aparece um filme tão “psicótico” que até o Mestre aprovaria.

Beijinhos a todas,

Céu

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Questionário ‘Ter 40′