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Queridas Senhoras,

um dos livros que li nas férias foi Correr (Não) é para Meninas de Alexandra Heminsley. Agora que o fim das férias se aproxima e o restabelecer das rotinas se vai impondo pouco a pouco, está na hora de recuperarmos, ou iniciarmos de vez, os bons hábitos desportivos.

Este livro, além de ser uma leitura bastante divertida, pode ajudar a dar o empurrãozinho que falta. É agradável de ler e útil em todos os casos: quem quer começar a correr, quem já corre, quem deseja evoluir e saber mais.

Há aspectos com os quais me identifiquei, outros nem por isso, outros que me fizeram rir de tão distantes que estão das minhas preocupações (como por exemplo, que maquilhagem usar para correr a maratona… juro!).

Como sempre nestas histórias de “eu-era-uma-anafada-que-não-fazia-nenhum-então-comecei-a-correr-e-agora-corro-maratonas”, o mais inspirador é sempre o exemplo. De esforço, de disciplina, de conquista, de superação. Claro que não estamos só a falar de correr. A corrida depressa se torna uma metáfora para uma série de coisas.

O livro fala de tudo isso mas também de questões muito práticas como a compra dos ténis e do soutien certos, que roupa usar, as músicas, os percursos, as provas. Cada uma de nós poderá relacionar-se com as diferentes histórias, sentimentos, expectativas que ela descreve. Por exemplo, ela diz que da primeira vez que saiu para correr esteve uma hora e meia em casa a escolher as músicas. Não me identifico com isto, corro sem música, mas fez-me sorrir.

Por outro lado, senti-me um pouco “espicaçada” porque em dois anos e meio de corrida não evolui muito. Isto é, corro praticamente o mesmo que corria de início. Com maior facilidade, sem dúvida, com maior segurança e auto-confiança mas sem grande ímpeto de alcançar outras metas. A leitura do livro alertou-me para não deixar passar a próxima meia-maratona. Esse desafio tenho mesmo de cumprir.

Se estão à procura de inspiração e motivação para arrancar, leiam a história de Alexandra, filha de maratonista que se achava incapaz de correr 5 km. Uma mulher de trintas e tais cada vez mais habituada ao computador, ao sofá, à cerveja no pub e às jantaradas com os amigos. Que foi capaz de quebrar hábitos de anos e ir à sua meninice recuperar as ganas de correr. É que parece que fomos mesmo feitos para isso. Isso é natural. Estar horas à frente do computador e da TV é que não.

“O segredo que todos os corredores guardam é que correm não pelo corpo, mas pela mente. Podemos cansar-nos de umas pernas esguias mas nunca nos cansamos de uma mente limpa.”

Beijinhos a todas,

Céu

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Roteiro algarvio sem gin

por , em 11/8/14

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Queridas Senhoras,

parece que a Paris Hilton actua hoje como Dj em Vilamoura. Li essa notícia em várias revistas, assim como muitas outras sobre festas nos bares e discotecas do Algarve.

Não quero parecer aqueles cronistas rezingões que se fartam de dizer mal do Algarve mas não sei nada sobre essas festas nem quero saber. Tempos houve em que tive alguma curiosidade sobre esses ambientes mas nunca frequentei. Passou a curiosidade e agora não mexeria um dedo para me deslocar a um desses eventos.

Em Lisboa acabo por me deixar influenciar pelas modas e pelos “novos conceitos”. Mas nas férias perco a paciência para isso tudo.

A sunset party perfeita destas férias foi um passeio à horta da avó da M., a apanhar figos, a partir amêndoas, a colher beldroegas para a sopa, a comer tomates à dentada.

O restaurante da moda foi o Rodrigues em frente ao Mercado de Sto. Amaro, com pratos do dia tão levezinhos como chispe de coentrada ou pernil assado. Armados em meninos da cidade, fomos sempre para a sardinha e para o carapau mas nem por isso deixámos de apreciar e viver todo o “conceito” da casa. Que inclui sempre uma ronda do chef Rodrigues pelas mesas a saber como vão os nossos apetites. Como ao domingo fecham, ainda recebemos da empregada a dica grátis de que em Monchique se passa muito bem o dia e há por lá restaurantes simpáticos e baratos. Fica para a próxima.

A esplanada mais cool não tem um bar de gin nem serve cocktails de autor. Mas tem lá um lugar, num banco corrido de madeira, meio à sombra meio ao sol, no areal da Meia Praia, a meia distância entre uma ponta e outra, que elegi como o meu preferido em todo o Algarve.

A festa anual foi a Feira de Bensafrim com amendoins, maçãs de Monchique, frango assado e febras no clube local.

Para desenjoar da praia não fomos ao Zoomarine nem ao Aquashow gastar uma pipa de massa. Descobrimos o Sítio das Fontes (na foto), em Estômbar, Lagoa, e tomámos banho de rio no Arade. A temperaturas bem mais favoráveis do que no Atlântico, diga-se.

A descoberta mais gulosa foi o Museu da Batata Doce no Rogil, Aljezur. Não vão ao engano, este museu engorda. Tem pastel, torta, tarte, folhado, folhadinho, biscoito e biscoitinho. Tudo confeccionado com a saborosa batata-doce da região.

Tivemos uma fraqueza: descemos à aldeia de Pedralva na esperança tola de que a moda tivesse abrandado e fosse possível jantar no Pizza Pazza sem reserva ou, pelo menos, levar as pizzas para casa. A movimentação na aldeia outrora deserta demoveu-nos. Mas há uma nostalgia boa em ter jantado ali várias vezes há mais de 10 anos. Somos cada vez mais antigos!

De Pedralva seguimos para Vila do Bispo onde fomos encontrar uma agitação invulgar para esta pacata vila. As lulas cheias da Tasca do Careca nem vê-las; e o Café Correia tinha um papel afixado: “lotação esgotada”. Mau. Estamos tão mal habituadinhos, à mesa posta e pronta do Rodrigues, que reagimos mal a estes imprevistos.

Fomos salvos pela foccacia com mozzarela e alho fresco de uma pizzaria que nos apareceu pela frente. Nesse dia o almoço tinha sido sardinhas pelo que o dia foi gastronomicamente perfeito.

Sardinhas ao almoço, pizza ao jantar. É todo o “gourmet” que queremos!

Beijinhos a todas,

Céu

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correcções

Queridas Senhoras,

no regresso das férias (mais ou menos, que isto está para durar) e na dúvida sobre qual o primeiro post a escrever, nada mais fácil: respondo ao último post da Marta e digo o que andei a ler durante as férias.

Já devo ter dito isto aqui mas pronto: ADORO ler nas férias. Adoro estabelecer rotinas boas, mesmo durante as férias, e ter um livro bom, mas MESMO BOM, extenso, que dê luta, que me acompanhe por muitas horas de muitos dias, é um dos grandes prazeres das férias.

Este ano esse livro foi o Correcções de Jonathan Frazen. Que livrão! Alguém já leu? Não posso encaminhar para o nosso circuito de trocas porque foi emprestado…

Do mesmo autor já tinha lido (julgo que nas férias de há dois anos), Liberdade, do qual também gostei muito. Mas Correcções consegue ser melhor ou pelo menos assim o senti. A sensação foi mais avassaladora, pensei mais vezes “mas como é que este gajo…?”

Muito gostaria de vos conseguir explicar porque é que achei o livro tão bom mas, olhem, acabei de chegar de férias, estou meio enferrujada, não me apetece muito contextualizar. Sei que tanto Liberdade como Correcções foram amplamente premiados e louvados, candidatos ou titulares do chamado Great American Novel.

Antes de Correcções tinha acabado de ler Americanah da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, também muito premiado, considerado “o grande romance da Era Global” pelo New York Magazine, por exemplo. Gostei bastante. Mas depois li o Correcções.

É um portento narrativo. E parece que não vou conseguir dizer mais nada. Mas para não dizerem “ah e tal, afinal ela não disse nada sobre o livro”, deixo-vos uma passagem. Não é especialmente elucidativa mas foi uma das que me ficou e localizei-a facilmente.

“Ele recordava as noites que passara no piso de cima da sua casa com um ou ambos os filhos, ou com a filha, na curva do braço, sentindo-lhes as cabeças húmidas do banho acabado de tomar a pesar-lhe nas costelas (…). Tinham sido fins de tarde – e houvera centenas deles, talvez mesmo milhares – em que nada suficientemente traumático para deixar para deixar uma cicatriz acontecera à unidade nuclear. Entardeceres de simples aconchego e união na sua poltrona de cabedal preta; doces entardeceres de dúvida entre as noites de desolada certeza. Vieram-lhe à memória, esses esquecidos exemplos contraditórios, porque no fim, quando estamos a cair para a água, não há nenhuma coisa sólida a que nos possamos agarrar a não ser os nossos filhos.”

Li outros livros durante as férias mas para quê desviarmo-nos do assunto?

Beijinhos a todas,

Céu

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Leitura de férias

por , em 9/8/14

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Queridas Senhoras,

vamos hoje de férias. Primeiro, serra, depois, mar. Em ambos, família. E o principal preparativo que fiz para a viagem foi passar na biblioteca, que nesta altura estende o prazo dos alugueres a 28 dias.

Doris Lessing, Toni Morrisson, Penelope Fitzgerald e Flannery O’Connor juntam-se a mim neste indeciso mês de Agosto. Depois conto-vos tudo sobre estas leituras.

E vocês, o que andam a ler nestas férias?

Beijinhos grandes,

Marta

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… mas como já prevejo que acabe por ser mais sobre mim, vou transformá-lo numa carta à Céu. Então, aqui vai, endereçada a Lagos.

Querida Céu,

este fim de época, esta recta final antes das férias de verão, tem sido verdadeiramente de loucos. Isto sou eu a desculpar-me por não ter escrito um post sobre ti no dia dos teus anos, dos teus 40 anos. Falámos ao telefone e contaste-me que já estavas em Lagos, que nadaste, apesar da água fria, e que usufruíste de uma magnífica massagem na praia. Que maravilha!

Não tanto pela parte da massagem, os teus relatos de Lagos lembram-me sempre Sophia. Tu sabes que ando para escrever sobre ela há algum tempo mas ainda não é desta.

Desta, quero dedicar-te isto:

Nestes últimos dias lançámos (eu e a Susana Esteves Pinto) um site novo, que me devolve um pouco da escrita sobre o melhor do nosso país, num feliz casamento de perspectivas.

Nestes últimos dias preparámos (eu, a Susana Esteves Pinto, a Célia Fernandes e mais algumas pessoas) uma candidatura de um projecto de animação que me obrigou a viver uns dias numa dimensão inexistente, para criá-la, enriquecê-la e, por fim, apaixonar-me por ela.

Neste último fim-de-semana, que eu passei quase todo em frente ao computador, enquanto os rapazes se entretinham sozinhos, o meu filho disse-me, muito sério: «Mãe, eu penso que tu já não gostas de mim». Danado, o miúdo, deu-me cabo da cabeça, embora eu acredite que aquilo já tenha sido dito no passado, pretérito-não-conjugado. Fiz-lhe falta e quando voltei para ele teve de dizer-me, da melhor forma que conseguiu, que eu lhe fiz falta.

E pergunto: terás tu pensado que eu já não gosto de ti? Sabes que gosto muito de ti, não sabes?

Sophia diz, a certa altura, neste filme: «essencialmente, aquilo que eu procurei foi esse espírito de nudez, foi pôr-se em frente de cada coisa como se ela nunca tivesse sido vista, e começar a olhar desde o princípio, como se fosse o primeiro dia do mundo». E vejo-te, Céu, nestas palavras. Vejo-te a mergulhar nas águas frias de Lagos pela enésima vez, repetindo o ritual de todos os anos, e a sentires o frio, o sal, o silêncio, como se nunca tivessem sido sentidos. Aos 40 anos, querida Senhora, continuas experimentando primeiros dias do mundo, e eu continuo à procura de aprender isso contigo.

Hoje recebi a primeira rejeição oficial de uma editora. Muito simpática e compassiva, mas uma rejeição, «por não haver disponibilidade no nosso já muito sobrecarregado plano de edições, que ocupa totalmente as nossas capacidades de produção para os próximos tempos. Creia que lamentamos ter de lhe transmitir uma resposta negativa» e tal e tal.
E sabes que mais? Eu sorri. A minha primeira rejeição!

Tenho a certeza de que um dia poderei contar-te que recebi o meu primeiro sim. Até lá, continua a deslumbrar-te com a vida e a deslumbrar-nos com essa capacidade.

A nós, que tanto gostamos de ti.

Um abraço enorme,

Marta

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Queridas Senhoras,

que passeios sugerem para estas férias? Por onde é que vão andar?

Agora que o Verão parece ter chegado de vez, e em jeito de aperitivo para as “férias grandes”, gostava de deixar uma sugestão aos nossos leitores. Nada de muito original, claro, é simplesmente o tipo de local que eu mais adoro, sobre o qual já falei aqui várias vezes: as nossas maravilhosas, frescas e retemperadoras praias fluviais!

O ano passado fiz um fim-de-semana na zona das Aldeias do Xisto sobre o qual escrevei brevemente aqui. Nesses dois dias andei pelos concelhos de Vila de Rei, Proença-a-Nova, Mação, Sertã e Oleiros, e descobri autênticos paraísos como a Fróia, a Cerejeira, Alvito da Beira ou Açude Pinto.

Claro que há muito mais para descobrir nesta região onde quero voltar, se possível, ainda este ano, para conhecer outros paraísos à beira-rio. Por exemplo, no concelho de Pampilhosa da Serra, distrito de Coimbra, onde nunca fui, e onde ficam três das seis praias fluviais das Aldeias do Xisto com Bandeira Azul. Galardoadas pela primeira vez este ano, são elas Janeiro de Baixo, Pessegueiro e Santa Luzia. Alvôco das Várzeas (concelho de Oliveira do Hospital) também estreia a bandeira. Louçainha (Penela) e Peneda (Góis) conservam-na.

É um território maravilhoso para passear, permite férias calmas, sem o frenesim das localidades costeiras. Saboreiem e descubram mais aqui e aqui.

Votos de boas férias!

Beijinhos a todas,

Céu

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Questionário ‘Ter 40′