Fim-de-semana olímpico

por , em 29/6/15
Na imagem a vencedora e o atleta que ficou em terceiro lugar. O vencedor da medalha de prata também tinha chucha e saiu mais cedo para ir à sua vida.

Na imagem a vencedora e o atleta que ficou em terceiro lugar. O vencedor da medalha de prata também tinha chucha e saiu mais cedo para ir à sua vida.

Queridas Senhoras,

Celebrou-se no último sábado e domingo, aqui em Lausanne, o centenário dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. Foi Pierre de Coubertin (1863-1937), um nobre francês, que os ressuscitou empenhando toda a sua fortuna nesse desígnio pessoal.

Paris foi a primeira capital olímpica mas com a Primeira Grande Guerra (1914-1918), a escolha recaiu sobre um país neutral, a Suíça, e Lausanne foi a cidade eleita. Aqui não se sediou apenas o comité. É também aqui que fica o Museu Olímpico.

Este espaço museológico começa por falar dos Jogos Olímpicos da Grécia Antiga passando depois para a figura de Pierre de Coubertin. Só a seguir é que mergulhamos nos jogos propriamente ditos através de fatos e equipamento utilizados pelos atletas, em passagens de aberturas e encerramentos dos espectáculos, até chegarmos ao pódio e às medalhas. Cada edição dos jogos, de 4 em 4 anos, tem as suas próprias medalhas e a sua própria chama olímpica. Qual delas a mais bonita.

De Portugal anotei apenas duas referências, uma bandeira e uma imagem de Rosa Mota, o que soube a pouco. Já em casa entrei no site oficial e fiz a pesquisa pelos nossos atletas. Carlos Mota, Nélson Évora, Telma Monteiro, Nuno Delgado. Estão lá todos. É curioso porque na Grécia Antiga só se considerava vencedor o primeiro lugar e o prémio era apenas uma coroa de oliveira. Hoje o pódio é constituído por três posições. As diferenças entre os jogos antigos e os modernos ainda são algumas e estão lá todas.

Para quem vai com crianças o museu é muito apelativo. Tem jogos interactivos e outros que lhe poderia chamar “de terreno” onde através do tacto e da visão se tenta fazer a correspondência do piso com o desporto correspondente. Ou então, depois de passarmos em revista todas as chamas olímpicas, adivinhar apenas através do tacto, qual é que se encontra escondida numa caixa…

De igual forma não se pode descurar o jardim onde encontramos, entre outros motivos de interesse, uma pista tartin de atletismo (estava tudo montado para a corrida e até equipamento fotográfico para registar o momento em que se corta a meta) assim como as traves verticais e o travessão do salto com vara. E que altura! A superação humana está aqui bem visível. Na televisão parece tudo tão mais fácil…

Beijos a todas,

Paula

Tags: ,

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·

Praia

por , em 28/6/15

148758_1013872271957198_6249754615775943648_n

Praia das Avencas, Parede

Queridas Senhoras,

todas as minhas memórias de praia mais antigas estão ligadas à Costa da Caparica. Primeiro, talvez, o cheiro da brisa ao final do dia, por entre os pinheiros, no parque de campismo, misturado com o aroma dos grelhados (um cheiro que me faz, até hoje, idealizar isso de “acampar”). Havia também o cheiro característico das gelatarias da Costa e o sabor dos gelados que tinham qualquer coisa a ver com a raridade: era uma coisa de Verão e só de alguns dias. A seguir (devia ser bem mais crescida) vem a memória das ondas, do mar imprevisível, e eu lá no meio. Também me lembro dos ocasionais dias de mar calmo e águas tépidas, dias de regozijo interminável. Gozei tudo isto sem ter grande consciência do desordenamento da Costa, dos perigos daqueles parques atulhados e, naturalmente, do que havia de suburbano em tudo isso. Vivia na Amadora, tinha tenda na Costa. Eram os anos 80 em toda a sua glória.

Mais tarde, no início da adolescência, praia continuou a ser sinónimo de Costa da Caparica, de longos Verões de L123, jornadas de dia inteiro e mochila às costas. Camioneta para Belém, barco para a Trafaria (o cheiro enjoativo à chegada, no cais, agonia que o ar salgado de S. João haveria de dissipar), autocarro ou caminhada até à praia. Estávamos no final dos anos 80, o protector ainda não era indispensável (o bronzeador de cenoura fazia sucesso) e julgo que ninguém sabia quais eram as “horas perigosas”.

A seguir, com um pouco mais de liberdade, veio a época áurea da Costa Alentejana. A Zambujeira, claro, mas também a aventura de descobrir praias menos frequentadas ou desertas ao longo de toda essa faixa litoral. Devíamos andar pelos 18, 20 anos, já havia alguns carros, e toda a gente acampava. Presumo que a grande febre da Costa Alentejana e Vicentina tenha começado nessa altura. Com a autonomia adquirida, a praia torna-se o próprio prazer da descoberta de praias diferentes, um dia aqui, outro ali, sem horas ou obrigações.

Uma grande, enorme viragem dá-se com a chegada dos filhos. A partir daí a praia nunca mais será igual. Os cuidados para as primeiras idas à praia são mais exigentes do que a admissão à faculdade. Aborda-se a questão com semanas de antecedência, munimo-nos de tudo o que é necessário e do que nunca será também. O protector infantil-pediátrico-ecrã-total-bloqueador-do-sol é encomendado quase na estação anterior. No dia aprazado para a investida, a criança é literalmente barrada com tal argamassa, sobre a qual enverga a t-shirt que não deverá despir em caso algum. Fazemos meia-hora de praia efectiva, o que nos deixa prostrados o dia inteiro, bebé incluído. “A praia cansa muito.”

Passada esta fase inicial, e as mil cautelas que é preciso ter com um bebé na praia, um ou dois Verões depois a questão já é quase inversa. “O menino/a menina precisa de muita praia!”. Normalmente depois de um Inverno longo, cheio de gripes e constipações, otites e faringites, o pediatra recomenda “praia, muita praia!”. E desta vez é praia a sério, com mergulhos completos para produzir o efeito desejado. É altura em que “ir à praia” é prescrição médica e é preciso obrigar as pobres crianças a enfiarem-se de cabeça na água fria. Os tempos da praia despreocupada estão bem longe.

Com o passar do tempo, enfim, tudo se normaliza. Os cuidados são relativizados, os horários flexibilizam-se e começamos a entrever a possibilidade de gozar umas horas de praia à antiga. Recuperamos então prazeres que julgávamos perdidos, o gozo de nos estendermos ao sol depois de um mergulho nem que seja por dez minutos. Ficarmos até um pouco depois das onze, no limite até ao meio-dia, sem nos sentirmos irresponsáveis e indignos.

Este fim-de-semana, em duas idas à praia na linha de Cascais (é raro ter coragem para voltar à Costa), de quem eu tive inveja foi dos velhos. Deitados nas rochas, absorviam o iodo e os raios de sol matinal com tal fervor e entrega que nada parecia poder desviá-los desse propósito. Alheios a tudo, como dizia a canção.

Depois de anos a queixarmo-nos disto e daquilo, do trânsito e das canseiras, julgo que será por essa altura que voltaremos a gozar os nossos melhores dias de praia.

Beijinhos a todas,

Céu

 

 

 

Tags: ,

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·

Castelo de Chillon

por , em 22/6/15

Castelo de Chillon

Queridas Senhoras,

“Quão alegremente vivemos sendo viajantes! – se tivermos comida e vestuário.” Não fui eu quem escreveu esta frase, de todas as formas não poderia estar mais de acordo com ela.

Foi Lord Byron quem o disse preto no branco numa carta de 1809 ao seu amigo Hodgson. Nessa missiva ele falava da região de Lisboa e às tantas chega mesmo a dizer: “Devo apenas observar que a vila de Cintra, na Estremadura, é talvez a mais bela do mundo.” E olhem que ele não era homem para ficar espantado com muita coisa, ele que viajou por grande parte da Europa.

Aqui na Suíça o escritor também não terá conhecido feias paisagens. O famosíssimo Castelo de Chillon, situado num rochedo no lago Lèman, recebeu-o e sobre ele Lord Byron escreveu um poema.

O castelo é, actualmente, o monumento mais visitado da Suíça e na literatura grandes nomes se referiram a ele como Jan-Jacques Rosseau e Alexandre Dumas.

De todas as salas que Lord Byron terá visitado, das maravilhosas vistas que terá alcançado, das torres que deve ter subido, dos lautos banquetes em que terá participado, de tudo isto, o que mais tocou o lorde inglês foi a história do prisioneiro François Bonivard que ali esteve encarcerado, nos calabouços húmidos do subsolo, entre 1530 e 1536. Esta história deu origem ao poema de 1816 O Prisioneiro de Chillon.

Um castelo digno de um conto de fadas mas que para Lord Byron deu antes origem a um poema sobre angústia. É com um excerto que vos deixo:

XIV

Ignoro os meses, os dias e os anos,
Não os contei, não fiz anotações –
Não acreditava que meu olhos ainda se abrissem,
E que fossem limpos da poeira do tempo;
Mas os homens, afinal, me libertaram;
Não perguntei por quê e nem onde estava;
Não me importava a distância nem o tempo,
Estar preso ou livre dava no mesmo,
Pois aprendi a amar a desesperança.
Agora que a liberdade se aproxima
E todas as correntes serão partidas,
Percebo que estas grossas paredes
São para mim, uma ermida somente minha!
E sinto como se elas estivessem a chorar
E como se fossem o meu segundo lar:
As aranhas se tornaram minhas amigas
E eu as observo no seu soturno labor,
Vi os camundongos brincarem ao luar,
Por que deveria me sentir inferior a eles,
Se vivemos todos sob o mesmo teto?
E eu o monarca daquele reino,
Poderia matá-los após chamá-los intrusos!
Naquela quietude onde aprendi a viver;
Minhas correntes e eu ficamos amigos,
Uma longa convivência mútua
Tornou-nos o que somos: – ainda que eu
Tenha recuperado esta enfadonha liberdade!

Beijos a todas,

Paula

Tags: , ,

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·

E viva o Verão

por , em 20/6/15

IMG_2240

Queridas Senhoras,

gosto muito dos textos do À Paisana. Divirto-me genuinamente (a ponto de rir à gargalhada) com os relatos e as análises bem-humoradas deste pai de dois filhos pequenos. E ainda me divirto mais porque agora é só gozar o prato. Os meus filhos já não são bebés e isso faz toda a diferença.

Vem isto a propósito da última crónica, uma “encomenda” do Lifecooler sobre a chegada do Verão. Aquela altura do ano em que apetece tudo, depois de um dia de trabalho, menos vir para casa enfiar colheres de sopa e garfadas de peixe cozido esmagado com batata e cenoura nas bocas de crianças choronas. Alguém comentava, no meu facebook, qualquer coisa do género “quiseram ter filhos? Então não se queixem de não terem vida.”

Mas não é bem assim. Estou totalmente solidária com o André e com todos os pais de filhos pequenos. Força! A comida esmagada há-de passar e não tarda está a família toda na esplanada a beber imperiais (pronto, imperiais e compal).

Cuidar de bebés é uma trabalheira e, a maior parte do tempo, uma seca. Mas é um investimento seguro e de retorno relativamente rápido. Em menos de nada tornam-se gente com quem se pode ir jantar fora e ter uma conversa decente. É ridículo pôr as coisas nestes termos mas não faz sentido pensar que depois de termos filhos, “deixamos de ter vida”. Não ficamos com menos opções mas sim com mais! Tanto posso combinar um jantar com amigas (ok, de seis em seis meses e isto quando conseguimos acertar agendas) como uma noite de cinema em casa com os miúdos.

Quando saio do trabalho, costumo passar ao pé da Universidade Nova e não são raras as vezes que sinto uma pontinha de inveja daquela malta que está por ali (“a roçar o cu pelas paredes”, diria a minha mãe) a beber cervejas e a combinar onde é que vão a seguir. Mas, se aprofundar um pouco esse sentimento, vejo que é superficial, mais um reflexo pavloviano do que outra coisa.

Quando calha estar sem os miúdos a minha vida não é assim tão extraordinária. Não uso esse tempo para fazer mil coisas que supostamente eles me impedem de fazer. E a verdade é que muitas vezes sou mais improdutiva. Já aconteceu, nessas situações, perceber que não fiz a ponta de um corno. Não arrumei a casa, não saí, não fui ao cinema, não li, não escrevi.

Ontem saí tarde do trabalho depois de uma semana longa (aliás, já quase dois meses de muito trabalho por causa de um projecto especial). Se os miúdos fossem pequenos e tivesse que vir para casa obrigá-los a engolir a sopa tinha apanhado uma neura daquelas. Mas a verdade é que agora que eles são crescidos podemos relaxar e, por vezes, até agir como solteiros irresponsáveis que não se preocupam com o que há no frigorífico (iogurtes e cerveja são os mínimos). Não há sopa? Paciência! O João governa-se muito bem com bananas e pão com manteiga. E atum.

Ontem saí tarde. Eles foram andando para a esplanada à minha espera. Jantámos bifanas e sardinhas num arraial de bairro ao cair da noite. E não trocaria isso por nenhum sunset no bar-terraço mais espectacular de Lisboa.

Beijinhos a todas,

Céu

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·

Sardinha assada

Queridas Senhoras,

foram poucos os dias de Santo António que não estive em Lisboa e este foi um deles. Como bem se devem lembrar, sou fã incondicional da sardinha assada e por estes dias deram-me umas ganas…

Sexta-feira, véspera de feriado em Lisboa, comecei por fazer uns telefonemas exploratórios. O supermercado Bela Vista, mais conhecido pelo “Paulo”, em Morges, foi a primeira aposta.

- Arraial hoje? Mas onde é que viu isso, menina?
- Num placard colocado na porta.
- Então espere aí, deixe-me só atender esta senhora, que eu já lá vou ler.
(…)
- Não, não é hoje. Hoje tivemos uma encomenda de cabrito para uma festa e outra de leitão assado, mas sardinhas não tenho aqui a dizer nada.

Depois foi a vez da Casa Portuguesa de Crissier (a propósito estão com 15% de desconto nos enchidos). Ninguém atendeu e na porta não havia anúncios.

Lembrei-me da pastelaria portuguesa de Renens. Já estava fechada e o placard anunciava arraial com sardinha assada na tarde de domingo. Abordei um senhor de bigode que ia a passar na rua que ainda hoje se deve estar a questionar “como é que ela topou que eu sou português?”. Não, não sabia de nada. Ali o pessoal era mais do norte e como tal festejava mais o São João. E assim se veio a comprovar.

Já desesperada ainda liguei para a Casa do Benfica. Terão sardinhas, mas só para o fim do mês. Na Casa do Porto era dia de gambas à gogo (à discrição).

Numa das últimas tentativas fui a um café com o sugestivo nome de “Estoril”. Três portugueses bebiam uma imperial à porta.
- Aqui na festa do campo da bola acho que há uma barraquinha mas é de feijoada. Agora se procura por sardinha, isso já não sei. A menina é aqui de Renens?
- Não.
- Vê-se logo!

Às 8h30 depois de tantas andanças pelos arredores de Lausanne, desisti e vim para casa fazer o jantar.

No dia a seguir de manhã, ligaram para o telefone do P.. Era de uma das associações portuguesas que tínhamos ligado no dia anterior.

- Tô sim, bom dia. Olhe estou a ligar-lhe porque já chegaram as alentejanas e é para as vir buscar.
- Deve ser engano. Liguei ontem por causa das sardinhas.
- Pois eu sardinhas não trouxe, agora tenho é aqui duas alentejanas, tal como me tinha pedido, que estão à espera e é chato porque eu tenho de as pôr nalgum lado.

Passado o momento non sense fomos a França comprar a bela da sardinha. Levámos 4 kg para casa do N. e da S. para a festa de despedida dele. Um verdadeiro ajuntamento de portugueses. O G. ou não fosse ele um rapaz de Aveiro, não arredou pé do braseiro estrategicamente colocado na varanda. Não sei se eram das saudades mas foi da melhor sardinha que comi nos últimos anos. O carvão só acalmou quando uma chuvada acabou com os planos, faltava para aí meio quilo para as 9 da noite.

Beijos a todas,

Paula

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·
Stanislav Zagajevski

Stanislav Zagajevski

Queridas Senhoras,

tal como aí em Portugal, também aqui em Lausanne existe um dia gratuito para visitar museus. Aproveitando essa borla, escolhi o Museu de Arte Bruta.

Logo à entrada ficamos a saber que tal expressão tem várias definições, uma delas dada por Jean Dubuffet, o criador da colecção inicial. Mais ou menos o que ele diz é que a Arte Bruta são obras executadas por pessoas que não pertencem a nenhuma cultura artística. Mas que ainda assim podemos assistir a uma operação artística pura, crua, inventada pelo seu autor a partir apenas dos seus próprios impulsos.

Já a definição de Michel Thévoz é ela própria mais “bruta”. Ele diz que estes autores são marginais refractários tanto a nível educacional como cultural e que têm um espírito rebelde em relação a toda a norma e a todo o valor colectivo. Eles não querem receber nada da Cultura e nada lhe querem dar.

Isto fez-me recuar cerca de três anos quando escrevi sobre uma exposição no Pavilhão 31 do antigo Hospital Júlio de Matos que juntou o consagrado artista plástico Jeff Koons a um José Ribeiro que ninguém nunca tinha ouvido falar mas que era um doente daquela unidade de saúde mental.

Em Portugal isto ainda vem sendo raro, esporádico, faz-se de vez em quando. Na Suíça há um museu que começou a formar-se em 1976 com 133 criadores. Hoje são 1000.

Infelizmente não foi possível tirar fotografias às obras que mais me chamaram a atenção, mas de todas as formas aqui fica o link onde poderão pesquisar, se vos agradar, mais sobre tudo isto.

Para se perceber um pouco melhor cada obra convém que se leia o percurso de vida de cada “artista”. Há histórias de filhos abandonados, de gente que tinha uma vida normal, mas que por um simples erro ou acaso se entregaram à depressão.

O caso de Heinrich Anton Müller foi para mim dos mais curiosos. Engenhoso, inventou uma máquina de podar videiras que lhe trouxe algum sucesso. A vida sorria-lhe até ao dia que se esqueceu de pagar a patente e a sua descoberta passou a ser explorada por outros.

Um museu essencialmente humano que fala de loucura, frustrações e libertação e que nos deixa a mensagem que cada um de nós também poderá um dia tornar-se num “artista bruto”.

Beijos a todas,

Paula

Tags: , ,

· · · ◊ ◊ ◊ · · ·
Questionário ‘Ter 40′