O que rima com Alice é…

por , em 21/11/14

Alice

Queridas Senhoras,

hoje é dia de festa (com Sol e tudo!). A aniversariante está muito feliz, obrigada! São 9 anos a ouvir piadinhas e rimas:

“És a Alice no País das Maravilhas?”
“Alice, que tontice!”
“Alice, olha a parvoíce…”
“Alice patraquice!” (esta é minha)

Mas não, é só a Alice e a sua meninice.
Para celebrar, aqui fica um poema da autoria da própria.
(Mmmrr… Mmmrr…)

PREÂMBULO

Agora, dona cabeça,
as minhas ideias aqueça
porque para este poema,
preciso de tudo menos de uma pena.

UM PAÍS

Venho aqui falar de um país
com fama e bom ar.
É livre de drama,
este não vai cá entrar.

É de Portugal que falo,
este país tão cheio.
Se fosse um bolo,
era o que tinha o melhor recheio.

Temos igrejas, temos capelas,
temos belos museus.
Temos cidades, temos vilas,
Temos lindíssimos troféus!

Vão para lá dizer que estamos em crise,
eu cá vou-me gabar
e confirmo o que disse.
Agora vou passear!

Beijinhos a todas e um excelente fim-de-semana!

Céu

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É de família

por , em 18/11/14

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Queridas Senhoras,

a Alice tem-nos surpreendido com os seus textos bem escritos, imaginativos, com um vocabulário amplo e frases complexas. É, sem dúvida, fruto das muitas e variadas leituras que ela faz desde pequena. Mas também terá alguma coisa a ver (e aqui perdoem a imodéstia pela parte que me toca) com uma veia que corre nos Coutinhos.

Há um lado instrospectivo, ensimesmado (nós dizemos “sorumbático”) neste ramo da família que a Alice herdou. De mim, do meu Pai, do avô João. Somos de poucas falas, um pouco toscos e inaptos socialmente. Daí que se calhar, o que não dizemos, escrevemos. Daí que a Alice comunique pouco, em ambientes sociais, mas depois escreva coisas que nos deixam de cara à banda.

Serve este introito altamente imodesto, para vos apresentar a tia Zeca, irmã do meu Pai e da tia Odete. A Zeca vai fazer 75 anos e é a nossa tia zen, hipster e mais dois ou três rótulos ainda por inventar. Pratica yoga e tai chi, vive no bairro da Graça, trabalhou durante muito tempo em actividades de animação com idosos e tem um dom especial com crianças.

Para alegria de todos, a tia Zeca resolveu escrever algumas das suas recordações de infância e juventude, condensadas em pequenas histórias que retratam episódios, personagens, lugares, ligados à nossa aldeia comum – a Aldeia Viçosa.

Através dos seus contos singelos (que devorei na primeira noite e agora vou contando aos poucos aos miúdos, para os fazer durar), viajamos até à oficina do avô João, onde este exercia a bonita profissão de sapateiro. A oficina ficava na loja e assim aprendemos que “loja” é uma parte da casa tradicional beirã, que fica em baixo. Lá em cima, ouvimos a avó Céu afadigar-se de roda dos tachos. Não que fosse muito apreciada pelos seus cozinhados, pelo menos pelo avô João que se queixava da pouca “sustância” dos mesmos. Em contrapartida, ela criticava os excessos dele, dizendo que era um “arrastador” (o mesmo que gastador, esbanjador).

Viajamos mais atrás e vemos essa figura glosada por todos, que eu já não conheci mas que tem chegado até nós através das histórias das tias – a avô Amália (minha bisavô). Descrita como esperta, viva, sabida, cheia de artimanhas, é um regalo revê-la, descobri-la mais um pouco através dos relatos da tia Zeca. Ouvir histórias é bom. Melhor ainda é tê-las escritas, guardadas, impressas, prontas para a geração seguinte.

Obrigada, tia Zeca!

Beijinhos a todas,

Céu

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gina

  • O melhor e o pior

O melhor é ter vivido pelo menos até aqui, conhecer o amor, a maternidade e lugares. O pior é a consciência de ter cada vez menos tempo para viver essas e outras coisas boas.

  • As surpresas e as desilusões

Todos os dias me desiludo com a ideia de que o mundo não tem novidades. Entretanto descobri que posso alterar o modo como o vejo e assim me surpreender.

  • As conquistas e as perdas

Não ter de ir por ali, convicta das minhas razões – conquista. Não ter companhia se vou por ali, pelas mesmas razões – perda.

  • O que mudaria, se pudesse, mas não posso; e o que mudaria, se pudesse, e posso

Mudaria de profissão.
Mudaria o modo como me relaciono com as pessoas.

  • O meu grau de satisfação com a minha rotina diária, de 0 a 10

3 (três). O facto de eu ser um tanto ou quanto insatisfeita é tão explicável quanto aborrecido de ler.

  • Recados para mim aos 20

Aproveita, miúda. A vida passa, isso é mesmo verdade, amanhã os teus dias não vão ser assim. De resto, valoriza-te.

  • Votos para mim aos 50

Que eu seja muito feliz. A lucidez pouco me importa que exista ou então não, a felicidade não depende dela, às vezes só atrapalha.

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Obrigada, Gina.

Para participar no nosso questionário ‘Ter 40′, basta enviar as respostas por email. Saibam mais aqui. Até já.

Marta

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Talking about commas

por , em 15/11/14

fichas

Queridas Senhoras,

estou a preparar uma remessa de livros para a Céu, sobretudo devoluções de empréstimos e duas sugestões minhas (um Patrick Modiano e um Michael Cunningham).

Mas o que vem a ser isso de preparar uma remessa? Não é só pôr os livros num envelope? De facto, não. Com este entra-e-sai de livros (às trocas das Senhoras acrescem as idas, cada vez mais frequentes, à biblioteca municipal), vi-me obrigada a encontrar um método para guardar comigo alguns bocadinhos dos livros de que acabo por ter que me despedir, aquelas frases que costumava sublinhar a lápis e que agora marco, com um post-it ou algo do género, nos livros cá de casa.

A minha escolha recaiu sobre as fichas de leitura, ou uma versão delas, em que registo, sobretudo, frases ou parágrafos que contêm ideias valiosas, que estão particularmente bem conseguidos ou que me ensinaram algo de novo acerca da língua. Devo dizer-vos que são uns minutos de absoluto deleite, estes em que regresso aos livros que já li para copiar, caneta no papel, palavras escolhidas a dedo. Faz-me pensar em tudo o que já li sobre a qualidade da leitura, a qualidade do acto de ler. Assim sendo, arranjei um novo passatempo, digamos assim, e estou a construir um pequeno espólio de pérolas literárias e/ou linguísticas a que regresso como a uma arca de tesouros.

Para além do prazer da releitura e da agradável sensação de coleccionismo, percebo, a cada palavra copiada, que o efeito também é notável no que diz respeito à reflexão sobre a língua. Ah, as boas velhas cópias!

Um dos livros que agora devolvo à Céu é A Catcher in The Rye. Também eu «andei 40 anos sem saber quem era o Holden Caufield», Céu, e agradeço-te muito que nos tenhas apresentado. É um dos que vou juntar, um dia, à biblioteca da família. Não me vou alongar sobre o conteúdo da obra, a Céu já escreveu e muito bem sobre esse assunto. Vou, sim, partilhar convosco as três citações que acabo de copiar para uma ficha de leitura.

Primeiro, uma frase muito simples e muito sábia: “Mothers are all slightly insane.”

Depois, uma reflexão brilhante sobre a inteligência dos outros, ou sobre a aparente inteligência dos outros: “I used to think she was quite intelligent, in my stupidity. The reason I did was because she knew quite a lot about the theater and plays and literature and all that stuff. If somebody knows quite a lot about those things, it takes you quite a while to find out whether they’re really stupid or not. It took me years to find it out, in old Sally’s case.”

E, para terminar, uma queixa (muito se queixa o miúdo, e com razão!) à qual eu não poderia ficar indiferente: “That’s something else that gives me a royal pain. I mean if you’re good at witing compositions and somebody starts talking about commas. Stradlater was always doing that. He wanted you to think that the only reason he was lousy at writing compositions was because he stuck all the commas in the wrong place.”

Bom fim-de-semana! Beijinhos,

Marta

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Um caso de serendipidade*

por , em 11/11/14

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Queridas Senhoras,

sabem aquele prazer de encontrar, por acaso, o livro certo para a pessoa certa? Acaba de me acontecer e estou mesmo contente. A Alice faz anos daqui por duas semanas. Não quero oferecer brinquedos. Roupas é a especialidade da avó. A prenda principal é surpresa (estou a pensar num workshop de cozinha, não digam nada!) mas um livro é um livro e nem seria normal não receber um da mãe.

Fui à Pó dos Livros, como habitualmente, e estava para trazer dois livros do David Almond (o ano passado ofereci-lhe, do mesmo autor, O Meu Nome é Mina e Gosto da Noite).

Eis senão quando (como diz o vô Nino nas suas histórias) me deparo com O Segredo da Serra de Arinda Rodrigues, o primeiro volume da colecção Terra Mágica da Oficina do Livro. (A Alice anda numa onda de livros de mistério, a devorar as Patrícias e as Nancys da minha infância). Pois bem, qual não é o meu espanto e o sorriso que abro quando leio que se trata de “uma aventura de cinco amigos na Beira Alta”, com lendas de mouras e lobos à mistura.

A sério? Uma aventura numa aldeia beirã nas férias da Páscoa? Será que entra a tia Odete? E a abertura fala de um “sótão dos avós cheio de livros”. A sério? Uma história destas nem de encomenda.

Vamos ver se consigo guardar segredo até ao dia.

Xiiiiuuu!

Beijinhos a todas,

Céu

*serendipidade
(inglês serendipity)
substantivo feminino
1. A faculdade ou o acto de descobrir coisas agradáveis por acaso.
2. Coisa descoberta por acaso.

 

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Catálogo de obsessões

por , em 10/11/14

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Queridas Senhoras,

ontem apanhei uma aberta (não no tempo-clima mas no tempo-tempo) e fui ao Lisbon & Estoril Film Festival. Já falei aqui de como estes festivais de cinema causam um terrível efeito de ansiedade (tantos filmes e eu não vejo nenhum?!). Calhou bem. A hora que tinha disponível dava para ver Map to the Stars de David Cronenberg, com Julliane Moore e Jonh Cusack, entre outros.

O filme prometia, a sala 4 do Monumental estava praticamente esgotada e eu estava completamente disponível para uma grande sessão. Só que….

Não vi o filme anterior de Cronenberg, Cosmopolis, mas tanto quanto me lembro também versava sobre a decadência, o tédio, a perversão no mundo dos ricos e famosos. Ou só ricos, não me recordo. Map to the Stars anda à volta do mesmo, é praticamente um catálogo de obsessões em torno das celebridades de Hollywood e de quem gravita em seu redor.

Desde os livros de Bret Easton Ellis (Menos que Zero, American Psycho, Glamorama…) que este género de enredos não me diz muito. Não consigo criar empatia, estabelecer qualquer ligação.

O filme não me aborreceu, manteve-me razoavelmente presa e interessada mas nunca envolvida. O melhor são alguns diálogos, a ironia de algumas situações e aqueles dois actores de que quem gosto muito (Moore e Cusack). Quanto ao catálogo de obsessões é fucked up de mais. É uma sobrecarga de pancadas, ficamos anestesiados, nada acaba por ter significado.

Ainda assim, há uma estrela adolescente, de apenas 13 anos, (e já com uma passagem por uma clínica de reabilitação no currículo) que protagoniza algumas das cenas mais hilariantes, com muitas piscadelas de olho, como é habitual nestes filmes sobre o cinema. Esta comicidade acaba por conferir alguma humanidade ao filme. Nomeadamente quando o rapaz começa a ser assombrado por visões de crianças mortas mas a coisa não funciona exactamente como n’ O Sexto Sentido.

De referir ainda Robert Pattinson, vilão de Cosmopolis, que aqui também anda de limousine mas faz de “bom”. O que aqui significa o único que não está completamente lixado daquela cabecinha.

 

Boa semana, beijinhos a todas!

Céu

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Questionário ‘Ter 40′