Boneco cómico de um americano a trabalhar na Suíça para o programa 26 minutes plus tôt

Boneco cómico de um americano a trabalhar na Suíça para o programa 26 minutes plus tôt

Queridas Senhoras,

a propósito de um vídeo de uns humoristas suíços que está a circular nas redes sociais dos expatriados na Suíça, um americano que trabalha há três anos numa multinacional neste país é entrevistado para contar como é ser estrangeiro por estes lados. Ele queixa-se que os suíços são muito difíceis. E entre, algumas palavras em francês e muitas mais em inglês acaba por perguntar como fazer amigos entre os suíços se eles só falam francês e não vêm ter com ele…

Para lá da caricatura fica a realidade que é sempre diferente de pessoa para pessoa. No meu caso posso dizer que num ano tive apenas duas situações desagradáveis e ambas relativas a discussões por lugar de estacionamento.

Na primeira vez, uma mulher esperava à minha frente por um lugar. Quando resolvo passá-la para inverter a marcha aparece uma família que ia sair e me oferece o resto do valor do parque. Aceitei, claro. Olha a simpatia, pensei!

Para azar da outra rapariga, o carro que ela esperava não estava a sair mas sim a chegar. E não é que ela veio reclamar o meu? Que aqui na Suíça eram assim as regras. Em sítio nenhum do mundo, nem em Bangui, nem em Kinshasa, nem no Burkina Faso se aplicam tais regras.

O P. que estava comigo lá me convenceu a deixá-la passar utilizando o argumento de sermos uma espécie de embaixadores do nosso país no estrangeiro. Era preciso usar diplomacia, portanto. Certo…

Da segunda vez, já eu tinha subido e descido seis vezes um parque no aeroporto de Genebra, quando vejo uma luz verde ao fundo de um corredor a indicar um lugar vazio. Quando lá chego estavam duas senhoras em pé a “marcá-lo”. Perguntei o que estavam a fazer. Uma respondeu-me que estava a guardar o lugar para o marido que estava difícil arranjar. Desta vez (estava sozinha) perdi mesmo a paciência e fui eu que utilizei o tantas vezes ouvido “désolée”.

Mas nem tudo são queixumes.

A semana passada, estava eu pronta para lavar o meu carro, chego à conclusão que a mecânica da coisa era mais estranha do que à primeira vista poderia parecer. Mete moeda numa máquina para trocar por fichas, mete ficha na máquina de lavar mas quando acaba podes pôr moeda para não teres de ir à outra máquina trocar pela ficha. Qual é a lógica disto? Estava eu a tentar perceber. Um senhor suíço (?) que estava atrás de mim, não sei se com receio de eu demorar muito, lá me explicou o procedimento das moedas, mas depois foi para dentro do carro que estava frio.

Atraído pela matrícula lusa, apareceu-me então um português vindo sei lá eu de onde e que se ofereceu para me lavar o carro. Disse que não precisava obrigada, mas ele queria mesmo ajudar e não contente com o não, tira-me a mangueira da mão. Ah, e como bónus ainda levei umas dicas de mecânica.

- Não se deve lavar o carro depois de uma grande viagem, sabe? Pode empanar os discos dos travões.

- Ah, mas eu moro já aqui em cima. A viagem foi curta.

No entanto, a que recordo com um agradecimento sentido foi a primeira vez que deixei o carro num mecânico nos arrabaldes e tive que regressar a casa de autocarro. Chovia, estava a tentar comprar o bilhete na paragem mas não tinha moedas. Notas e cartão de débito não são aceites.

O motorista esperou que eu tirasse o bilhete, depois abriu a porta e perguntou-me se eu queria ir naquele autocarro. Ouvido o sim saiu para me ajudar. Perguntou a todos os passageiros se tinham troco e como ninguém tinha, abordou na rua um casal de idosos que por acaso ia a passar e me conseguiram trocar a nota.

Fiquei com a sensação que se só passasse alguém por ali lá para o fim do dia, o homem não arrancaria com o autocarro, para desagrado dos outros passageiros. Conseguem imaginar a minha boca aberta de espanto? A Carris anda sempre atrasada em Lisboa e garanto-vos que não é por causa destes gestos de solidariedade.

Beijos a todas,

Paula

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Capela Sistina ONU, uma obra do artista plástico espanhol Miquel Barcelò

Capela Sistina da ONU, uma obra do artista plástico espanhol Miquel Barcelò.

Queridas Senhoras,

conhecem a paranóia dos suíços relativamente a guerras e outras catástrofes? Sabiam que todas as casas e prédios de apartamentos têm bunkers, certo? Já ouviram dizer que há bunkers espalhados pelas florestas, não já?

Pois então. Ao que parece uma vez por ano testam-se as sirenes para ver se está tudo bem. Hoje foi o dia. Só não acabei de ter o susto da minha vida porque a minha amiga T. me avisou dois preciosos minutos antes.

Habituados a isto, os habitantes mostram-se incrivelmente calmos mas não deixa de ser curioso que este país europeu que escapou às Duas Grandes Guerras e que não entra em qualquer conflito desde 1815 seja tão zeloso com a sua protecção.

Nem por acaso ontem visitei o Palácio das Nações Unidas em Genebra. Herdeira da pioneira Sociedade das Nações – que foi criada após a Primeira Guerra Mundial para evitar uma segunda que acabou por acontecer -, a ONU sabe melhor que ninguém que não é na guerra que se começam a cultivar as sementes da paz.

Nas imediações do palácio, uma cadeira em madeira de 12 metros chama a atenção. Não é só pelo tamanho desmesurado, é pelo facto de ter uma perna partida. A escultura, que já se tornou um símbolo da organização em Genebra, é um grito de alerta para as vítimas das minas antipessoais.

Broken Chair, obra do artista suíço Daniel Berset concretizada pelo carpinteiro Louis Genève.

Broken Chair, obra do artista suíço Daniel Berset concretizada pelo carpinteiro Louis Genève.

A visita dura cerca de uma hora e passa pela ala antiga do palácio e pela mais moderna. Ao longo do percurso ouvimos histórias envolvendo imensas nações. A Líbia, único país que foi suspenso pela constante violação dos Direitos Humanos, Espanha que “ofereceu” a obra de arte na cúpula da Sala dos Direitos Humanos, também conhecida pela Capela Sistina da ONU, a Bélgica que ofertou mármore para o hall da entrada principal e de Portugal nada.

A única referência ao país veio da boca de um membro do nosso grupo quando a guia nos perguntou quem acharíamos que ia ser o próximo secretário-geral das Nações Unidas: “Gueterres”, disse prontamente.

Portugal foi membro fundador da Sociedade das Nações (1920) mas não nos esqueçamos dos anos seguintes de ditadura e de guerra colonial. Um passado que tanto enaltece a uns, como envergonha a outros.

Que ao menos nos valha a História para não repetirmos os mesmos erros no futuro.

Beijos a todas,

Paula

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Queridas Senhoras,

ontem foi dia de saída cultural entre mãe e filhas (eu, irmã e mãe). Anseio pelo dia em que a Alice se juntará a nós. Ainda tentei cativá-la para vir connosco mas não foi, literalmente, na conversa. Não se tratava de um programa convencional de cinema, teatro ou música. Era uma conversa no âmbito do Estar em Casa, evento com uma série de iniciativas espalhadas pelos vários espaços do Teatro Municipal S. Luiz. (Achei que o tema podia ser apropriado para a Alice mas como ela já sabe o que a casa gasta, é muito vigilante em relação aos meus convites, receia ser arrastada para programas que não são para a idade dela.)

Assistimos a duas conversas – Família: as coisas que se passam em casa e A casa da minha infância - com variados e interessantes conversadores (mas aqui não vale a pena disfarçar: fomos lá pelo Pedro Mexia, interveniente do segundo painel).

Richard Zimler falou da excessiva importância que em Portugal se dá à família, do modo como a casa de família é protegida do exterior e como é difícil aceder a esse universo, inclusivamente ser convidado para jantar ou para socializar. Alexandre Quintanilha, no segundo painel, entre muitas histórias divertidas e enternecedoras, tocou no mesmo, a forma como tapamos as nossas janelas com portadas e cortinas, como não queremos que nos vejam de fora para dentro. Eles, em contrapartida, mandaram construir uma casa sem paredes no interior e com uma enorme parede em vidro, escancarada ao exterior.

Gabriela Moita, sexóloga, alinhou com Zimler quando caricaturou a pressão da sociedade para manter a família, ou a aparência de família, a todo o custo. Perante anos de violência doméstica contínua, não é raro que se louve a mulher que “fez tudo para salvar a família” em detrimento da sua própria salvação. A família sobrepõe-se ao pessoal, quase anulando o indivíduo.

Ana Margarida Carvalho, jornalista e escritora (filha do escritor Mário de Carvalho), falou dos códigos familiares, de um tom, de uma linguagem própria que se desenvolve entre os membros da família, não inteiramente captada pelos estranhos ao meio familiar.

Pedro Mexia mencionou o mesmo ao referir, inclusive, a existência de palavras próprias da família. É usual o revisor da editora ou do jornal mandar provas para trás com a indicação de que determinada palavra não existe. O dicionário confirma que sim, embora haja um cemitério de vocábulos esquecidos. Porventura cada família acarinha uns tantos, numa adoção linguística que os vai mantendo vivos (o meu pai está a compilar um dicionário de palavras que a minha mãe usa, que as crianças não ouvem em mais lado nenhum, que já vêm das minhas avó e bisavó).

Mas a intervenção de Pedro Mexia, que como é seu costume vinha abundantemente munido de livros e citações, começou com um poema de Ruy Belo que ele leu na íntegra.

Oh as casas as casas as casas

Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
Elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
Respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas
Ruy Belo
Todos os Poemas
Lisboa, Assírio & Alvim, 2000

[Um parêntesis para comentar os escritos e as intervenções de Pedro Mexia. Parecem-me sempre ser o contrário da banalidade. Têm pouco ou nada a ver com modas, com o momento, com a febre do imediato. São intemporais, universais, não têm pressa nenhuma, são válidos agora e daqui a 20 anos. Há sempre informação substancial, factos, análises, nenhuma frase vã. Mas é um conhecimento que não se impõe, não intimida, não é ostensivo. Em todas as crónicas e conversas aprendo coisas que não sabia, sobre a literatura e os escritores, principalmente, mas também sobre cinema, teatro, música, política, história. Sendo ele uma figura, sem dúvida, um intelectual prestigiado e um cronista que não omite o eu, por vezes antes pelo contrário (no estilo diarístico que professa há uma obsessão com o eu) consegue uma coisa notável que é o apagamento da figura para fazer sobressair a informação, a análise, o poema, a obra.]

No final da conversa alguém do público lança uma pergunta entusiasmante. Há em todas as infâncias, ou deveria haver, uma figura mágica, uma espécie de bruxa ou feiticeiro, alguém que quebra a ordem das coisas e revela o poder da rebeldia, da transgressão. Tiveram uma figura assim? Quem foi?

Alexandre Quintanilha, com muita graça, mencionou uma mulher fantástica, uma biofísica com quase dois metros de altura (?!), que fumava um cachimbo de marfim. Como se isto não fosse suficiente, a senhora excedia-se quando bebia um bocadinho. Hilariante. (Isto contado pelo homem que, quando chegar aos 90, quer experimentar uma trip de LSD).

Os feiticeiros de Mexia eram os amigos do pai que iam lá a casa, senhores absolutamente circunspectos excepto quando discutiam literatura. Aí transfiguravam-se, tornavam-se extravagantes, adquiriam contornos desconhecidos. Foi logo aí que ele teve a intuição: a literatura é uma coisa muito séria.
Beijinhos a todas,

Céu

 

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Ser homem

por , em 30/1/16

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Queridas Senhoras,

no momento em que escrevo, este texto da Rita Marrafa de Carvalho vai em 1815 partilhas. O meu querido marido diz que ando muito feminista, que é um exagero, que ninguém me atura. Respondo-lhe que é preciso ser feminista todos os dias, falar continuamente destas questões. É um facto que comecei a dar mais atenção ao tema desde que me liguei às Capazes, o que me fez ter mais acesso e procurar outras fontes de informação que abordam temas feministas.

Até bastante tarde, não me recordo de pensar muito sobre estas questões. Certamente achava que era um assunto distante, que não tinha muito a ver com a minha vida. Pegando no texto da RMF, até aos 20 e tal anos as exigências não são muitas. Imaginemos um casal, em que ambos são sensatos e razoáveis, sem extremismos de espécie nenhuma. É relativamente fácil organizar uma vida em comum, dividir tarefas, gerir crises. É depois de chegarem os filhos que tudo se complica. As crianças exigem jantar na mesa, roupa lavada, horários certos, atenção, regras e uma vida organizada. Se antes dos filhos a divisão de tarefas pode ser motivo de piada e brincadeira, depois passa a ser “a” questão.

Enquanto corria esta manhã, comecei a pensar no texto da RMC e o que me ocorreu foi, tentando ver o outro lado, será que os homens não estão cada vez mais sujeitos ao mesmo tipo de exigências? Não se espera deles que sejam tudo e mais um par de botas?

Vejamos. Hoje espera-se que os homens sejam pais em pleno, desde o primeiro momento. Não só para mimos e brincadeiras mas para a dureza das noites em claro, das cólicas, das primeiras papas, dos vomitados, das doenças e todo esse mundo pouco encantado dos primeiros anos de vida. Isto é esperado, desejado e aceite. Mas quantos homens jovens, na casa dos 30, receiam usufruir de todas as licenças a que têm direito sob pena de serem olhados de lado pelo chefe e pelos colegas ou serem preteridos na sua evolução profissional? É como se fosse esperado que eles sejam bons pais, envolvidos, mas não demasiado.

Espera-se, naturalmente, que os homens saibam fazer tudo em casa, especialmente cozinhar, sobretudo cozinhar, até porque isso é tremendamente sexy e é claro que se espera que os homens sejam sexy. Bonitos, atléticos, cuidados. Mas não demasiado, não como aqueles maluquinhos do ginásio. Devem ser óptimos em tudo mas como se não se preocupassem muito com isso, como se fosse tudo um dom natural.

Se trabalham demais, são workaholics. Se não investem na carreira são pouco ambiciosos. Se estão com a mesma mulher há 20 anos são uns monogâmicos chatos. Se são solteiros e namoradeiros, são uns doidivanas que nunca mais assentam. Se não se cuidam, são desleixados. Mas em excesso são vaidosos. Se se dedicam muito à família são caseiros e paus-mandados. Se só querem borga com os amigos, são uns estroinas. Ser o Phil Dunphy ou o Hank Moody? Desde que sejam divertidos e românticos, mas não demasiado se não enjoa.

Isto não está fácil. Tanto as mulheres como os homens estão sujeitos a múltiplas exigências e julgamentos. Antes os homens só tinham que trabalhar e providenciar o sustento da família. As mulheres organizavam a vida familiar e doméstica. Hoje todos fazem tudo, o que é excelente. Mas como não se pode ser bom em tudo, andamos aflitos e às turras uns com os outros.

Desde que entrei para o Senhoras e, mais tarde, para as Capazes estou mais atenta a todas estas questões que afinal não são exclusivamente feministas. Dizem respeito à maneira como vivemos, como organizamos as nossas vidas familiares, como educamos as nossas crianças e como podemos ser mais felizes.

Beijinhos a todas,

Céu

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Lyon, a cidade miragem

por , em 29/1/16

Lyon

Queridas Senhoras,

esta semana quero falar-vos de Lyon, a segunda cidade mais importante de França, de acordo com o Turismo de Lyon, terceira conforme o Turismo de Marselha.

A minha história com Lyon tem quase um ano. Lembram-se da aventura que aqui contei que foi a viagem de carro de Portugal até à Suíça, em Abril passado? Pois então. A partir de Bordéus, onde jantámos, começámos a ver as placas a anunciar Lyon. Como ficava no caminho pensámos fazer um desvio.

Desde então começámos a tomar atenção às distâncias que indicavam as placas. Os 700 km, iam passado para 600 km, depois para 500 km e Lyon continuava uma miragem. Inexplicavelmente, a determinada altura a coisa complicou-se e os quilómetros começaram a aumentar. Quando passámos por Lyon, já a madrugada ia alta, nem demos por ela. E foi assim que ganhou forma o mito que Lyon era uma miragem.

Há pouco tempo resolvi ir a Lyon e aí pude aperceber-me que de miragem Lyon tem pouco. Lyon é uma cidade com fortíssimas raízes. Para começar fica numa península natural na confluência de dois rios, o Ródano e o Saône. Se um rio faz muito por uma paisagem, imaginem dois.

Enquanto romana, Lyon chegou a ser a capital da Gália. Este é precisamente um bom ângulo para descobrir Lyon. Comecei pelas ruínas romanas situadas na colina de Fourvière, de onde se abarca a mais bela vista da cidade. Uma vez aí é impossível não visitar a Basílica de Notre Dame e a sua cripta.

Já na parte velha da cidade, o passeio a pé impõe-se e sejamos religiosos ou não, não dá como fazer vista grossa à catedral de Saint-Jean. Poderia falar-vos dos vitrais, das estátuas ou do órgão, mas prefiro falar-vos de uma outra relíquia mais a puxar ao científico: o relógio astronómico originário do século XIV. Este relógio indica as posições do sol e da lua, as constelações do Zodíaco, a duração do dia e da noite, a data dos eclipses, a Páscoa e outras festividades religiosas, a hora das marés, ufa! Acho que só não dá a chave do Euromilhões.

Quando visito uma cidade pela primeira vez, tenho a tendência a fugir aos grandes museus (excepto se forem importantes instituições como um MoMA ou um Guggenheim) e prefiro ver aquele museu que só há ali, que conta uma história que não vou ver em mais lado nenhum.

Em Lyon visitei dois: o Museu Lumière e o do Guignol. Nunca fui grande fã de marionetas mas elas lá me vão aparecendo de uma forma ou de outra nas viagens que vou fazendo e acabo sempre por não lhe virar as costas. Desta vez fiquei a conhecer a história da marioneta mais famosa de França, criada em 1808, que juntamente com os seus amigos Gnafron e Madelon, fazem um trio cómico. O personagem principal usa sempre um bastão na mão que não tem problemas nenhuns em usar constantemente. É uma resposta sub-reptícia à censura francesa da Segunda República.

E por fim, o cinema. Sabiam que a família Lumière era de Lyon? O palacete do patriarca foi transformado em espaço museológico e conta como os irmãos Lumière chegaram ao cinema e a outras descobertas importantes, como a gaze (para tratar feridas), por exemplo. A dupla chegou a registar a patente de perto de 200 invenções, algumas mais conhecidas do que outras.

Voltando ao cinema, é sempre interessante perceber o que despoletou a descoberta. E neste caso, nem vão imaginar, mas entre outras coisas (como o caleidoscópio) foi… uma máquina de costura. Fechem os olhos e imaginem o som de uma máquina de costura antiga. Agora tentem imaginar o som de um aparelho antigo, tipo retroprojector. Não são idênticos? Os grandes génios vêem o extraordinário onde nós, os comuns mortais, vemos o banal.

Beijos a todas,

Paula

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Fim-de-semana luminoso

por , em 29/1/16

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Queridas Senhoras,

chegou o último fim-de-semana de Janeiro e as coisas não estão, definitivamente, nem paradas nem cinzentas. Lisboa fervilha de eventos e ainda por cima não chove.

Se fosse eu, fazia assim:

Sexta
- Um copo no Chapitô para acompanhar o lançamento da Revista Gerador nº 7
- Jantar na nova Pizzaria ZeroZero do Príncipe Real
- Festa de abertura do Estar em Casa no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz (grande evento de ocupação de todos os espaços do teatro, com várias iniciativas de teatro, música, conversa, ateliers. A curadoria é de Anabela Mota Ribeira e André e. Teodósio).

Sábado
- Caminhada / corrida matinal junto ao Tejo
- Visita à Ilustrarte no Museu de Electricidade (há ateliers para os miúdos e os livros todos da Alice Vieira)
- Apanhar o barco para Porto Brandão ou Trafaria e almoçar por lá (aqui ou aqui, por exemplo)
- Regressar a tempo de assistir, pelas 17h, a uma Leitura Encenada no Padrão dos Descobrimentos (Beatriz Batarda interpreta o Caderno de Memórias Coloniais de Isabela Figueiredo).
- Petiscar qualquer coisa na Semana da China em Arroios
- Assistir ao filme Somos jovens, somos fortes, no Cinema S. Jorge (21h30) no âmbito do KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã

Domingo
- Caminha ou corrida matinal (opcional)
- Brunch em local à escolha (sugiro a zona do Chiado, Decadente, Kaffehaus ou Tartine)
- Dedicar a tarde à fabulosa programação do Estar em Casa (quase tudo com entrada livre; destaque para as actividades infantis e para as conversas. Às 17h Pedro Mexia e outros convidados falam da casa da sua infância).

 

Bom fim-de-semana, beijinhos a todas!

Céu

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Questionário ‘Ter 40′