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Imagens: Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva – Sonnabend | Paris-New York

Queridas Senhoras,

fomos dar uma espreitadela à exposição Sonnabend no Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva. Pela localização, este é um dos museus mais agradáveis de Lisboa. A vizinhança do Jardim das Amoreiras, com esplanada e parque infantil, torna-o um espaço de eleição para uma visita em família.

Pareceu-me também que uma exposição de Pop Art, com as suas representações de objectos do quotidiano, reconhecíveis, elevados a obras de arte, poderia fazer algum sucesso com os miúdos.

Primeiro comentário do João perante esta Green Salad: “Isto não é arte, é tudo ao calhas, tudo misturado.”

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Mas de facto ele não quis sair se não ao fim de meia-hora, o que é um recorde notável. Vimos frangos, pacotes de sopa, cachorros, queques que afinal são postas de salmão com maionese, flores, saboneteiras, um homem ao espelho, uma garrafa, um recipiente cheio de detritos, vários retratos, imagens icónicas que a nossa retina reconhece, colagens com diversos tipos de materiais sobrepostos, em amálgama.

Esta é a parte que me preocupa. Visitar exposições que estão na berra, tudo bem. Desde que não venham para casa com vontade de ir mexer no “saco de materiais” para “criar” alguma coisa. Chega de arte por hoje. Ver TV está muito bem. E também podem jogar computador. À vontade.

Beijinhos a todas,

Céu

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RestRetiroMina

Queridas Senhoras,

o restaurante português ao domingo é uma festa. Em geral, ao domingo almoçamos em casa dos meus pais mas no fim-de-semana passado houve uma troca nos dias e, por isso, fomos parar, no domingo, a um restaurante português do melhor que pode haver.

O restaurante português ao domingo é uma alegre confusão mas ninguém se importa com isso. Tem famílias inteiras, com velhos muito velhos e bebés de colo. Dentaduras e chuchas.

No restaurante português, ao domingo, deixamos cair as defesas. Os miúdos podem fazer barulho à vontade, e até partir o ocasional copo. Há sempre mais chinfrineira na mesa ao lado a abafar a nossa.

O restaurante português ao domingo tem um cheiro que identifico logo (não sei se é a mistura das tolhas brancas de papel, o pão de Mafra estaladiço, a carne assada e as batatas fritas), e que me faz lembrar outros almoços de domingo em família quando ainda havia avós e eu era neta.

No restaurante português ao domingo a comida é sempre boa. Isso nem se questiona. É tudo bom, do pão e azeitonas, à carne e ao peixe. Os pratos são carne ou peixe e designam-se por uma palavra. Há bacalhau, polvo, cabrito, borrego, feijoada, favas, cozido. Tão simples como isso. Os acompanhamentos podem ser mais elaborados, admitem duas ou três palavras: batatas a murro ou, se quiserem um toque de sofisticação, migas de espargos.

Ninguém está muito preocupado em fazer contas porque o restaurante português ao domingo é barato. Isso é regra. Vamos comer muito bem, não vamos ter nenhuma desilusão, muito menos no preço. Contudo, para que isso não falhe, há quer gerir bem as doses. A dose no restaurante português ao domingo é uma travessa generosa que abala seriamente até o mais corpulento dos apetites. O desperdício não combina por isso pedem-se as doses à conta e o que sobrar manda-se meter numa caixa para levar. Há-de saber bem ao jantar do dia seguinte.

No restaurante português ao domingo, antes que  lá mais para o final do dia sobrevenha a melancolia, somos descontraidamente felizes. Não pensamos em nada a não ser em comer bem. Comemos batatas fritas sem culpa e molhamos o ovo no pão. Não dispensamos sobremesa. No restaurante português ao domingo, as sobremesas têm nomes antigos que me fazem lembrar a aldeia. Arroz doce há sempre, molotof muitas vezes, profiteroles e, em casos verdadeiramente especiais, um doce de época: farófias.

O restaurante português ao domingo é uma instituição que devemos acarinhar. Como quem não se esquece de visitar os avós todas as semanas,

Onde é que vão almoçar hoje?

Beijinhos a todas,

Céu

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A nevar em Lausanne

A nevar em Lausanne

Queridas senhoras,

Depois de Espanha, o primeiro país estrangeiro onde vivi, cheguei à Suíça, um país que segundo os próprios suíços foi criado pela França, Alemanha e Itália para dividirem riqueza. Ainda não conheci muita coisa mas as primeiras impressões com que fiquei dizem-me que tenho de deixar de lado a forma portuguesa de pensar. Se uma simples massa com qualquer coisa servida numa espécie de restaurante fast food custa 20 francos suíços, um jantar completo num restaurante depressa ultrapassa os 50 francos suíços por pessoa.

Quem são os suíços afinal? É a pergunta que me faço todos os dias. Isto parece uma torre de Babel. Ouço falar francês, português, inglês, alemão e italiano. Sentimo-nos seguros nas ruas, nota-se organização em tudo.

E para que não se possa alegar que em Roma ainda não tivemos tempo para ser romanos, à chegada ao hotel dão-nos uma espécie de manual de bons comportamentos, aquilo a que chamam “Informação Essencial sobre a Suíça”. A par com os contactos úteis de hospitais, polícia, etc, estão uma série de regras como não buzinar depois do pôr do Sol e em que circunstâncias usar os quatro piscas. Atenção portugueses que isso não se aplica quando forem levantar dinheiro ao multibanco enquanto deixam o carro em segunda fila… Não por acaso os meus conterrâneos na Suíça com quem falei confessaram que já perderam conta às multas que tiveram de pagar.

Para já, e como não tenho carro aqui, a minha única preocupação é fazer-me entender. Obrigo-me a falar francês no hotel, nos restaurantes onde vou almoçar e na rua. Ontem deu-se a caricata situação de ter contribuído para engrossar uma fila mas só de lá saí depois de perceber tudo o que me foi dito… em francês. Deus dê paciência aos suíços, agora que eu cheguei!

Beijos a todas,

Paula

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E não estou a falar de Óscares. Vem aí mais uma Senhora: a Paula, de 36 anos, com quem eu, a Mariana e a Céu já trabalhámos. A Céu foi a última a despedir-se dela, ainda na semana passada.

A Paula é jornalista de alma e coração – mas o coração desta vez bateu mais forte pela família e decidiu mandar tudo às urtigas e juntar-se ao marido, o Paulo, em Lausanne, na Suíça.

E parece que começa já amanhã a dar-nos conta da sua nova nova vida. Iorelé hi hu!

Passámos a blogue… pentangulado?

Beijinhos a todas!

Marta

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O lobby da comédia

por , em 22/2/15

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Queridas Senhoras,

mesmo a tempo do encerramento das urnas, aqui vai o meu último contributo para hoje à noite, sobre a colorida (e única) comédia nomeada para Melhor Filme.

Diria que é impossível não gostar de Grand Budapest Hotel (a não ser que se seja o Vasco Câmara). Não vi assim tantos filmes de Wes Anderson para dizer que é uma repetição, cansativo ou não sei o quê. Assim de cabeça lembro-me de The Darjeeling Limited (que adorei) com o mesmo ritmo alucinante, cores semelhantes e alguns actores em comum.

Como não simpatizar com uma história que conta uma história que conta uma história? Para além de uma voz que vai relatando os acontecimentos, a estrutura narrativa inclui até uns separadores kitsch amorosos que introduzem os vários capítulos.

No centro de tudo temos um velho e magnífico hotel (acho que não há maus filmes passados em hotéis, resulta sempre em alguma coisa entusiasmante), situado numa imaginária república algures no Leste da Europa, que vamos conhecendo ao longo de várias épocas. Desde os áureos anos 30, quando o hotel era uma soberba e elegante engrenagem, até à ruína desolada de um refúgio para solitários.

Quem faz girar a engrenagem é M. Gustave (Ralph Fiennes), o concièrge que é rei absoluto no Grand Budapest, amante de arte e poesia, de velhas senhoras e de L’ Air de Panache, o perfume, indispensável para manter a ilusão de grandeza. A relação de Gustave com Zero, o jovem paquete com quem desenvolve uma profunda amizade, é o motor e a chave do filme.

A propósito de chave, sabem o que é A Sociedade das Chaves Cruzadas? Não vou estragar a surpresa, descubram tudo num dos capítulos de Grand Budapest Hotel.

Beijinhos a todas,

Céu

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Overacting

por , em 21/2/15

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Queridas Senhoras,

finalmente vi Birdman, o candidato aos Óscares que me tinha sido vivamente recomendado, por gente tão idónea como a minha irmã e a S.. (mas não por um dos críticos que sigo habitualmente, o Jorge Mourinha do Público, que lhe atribui apenas uma estrela).

Mana, S., tenham calma, eu gostei do filme. O título deste post não contém nenhuma crítica negativa implícita. Overacting porque é um filme de actores do caraças! E é sobre actores, representação, teatro, verdade, mentira. (Não andamos por aqui todos tantas vezes em overacting, a exagerar nos nossos papéis? A querer muito que gostem de nós?)

Não achei o filme sublime ou genial mas para mim aquilo é cinema. Não querendo tirar o protagonismo ao Michael Keaton (o filme é justissimamente dele), tem o Edward Norton e não me parece que este alguma vez tenha feito maus filmes (e se fez, ele é tipo para os tornar bons). E tem uma mulher chamada Naomi Watts com a aura das antigas divas. E uma menina chamada Emma Stone que ainda não me fala ao coração mas o problema deve ser meu.

Esta gente reúne-se num velho e respeitável teatro da Broadway para ensaiar Raymond Carver - De que falamos quando falamos de amor? Riggan (Michael Keaton), um ex-actor de filmes de acção, está em crise de ego e anda à procura do amor-próprio, do público, da crítica, da filha, da namorada, da ex-mulher. Ele só quer ser amado, sim, mas confunde amor e admiração. E entretanto chegou aos 60, a flacidez é implacável e o twitter também.

Enquanto compõem as suas personagens, no palco e fora dele, andam todos à procura da verdade. Como se isso existisse.

(Não é o meu candidato favorito para amanhã. Dos que vi, as minhas fichas vão todas para Boyhood.)

Beijinhos a todas,

Céu

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Questionário ‘Ter 40′