Escola para sempre

por , em 24/5/16

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Queridas Senhoras,

adoro a escola. Gosto de escolas-edifícios, de salas de aula, anfiteatros, livros, sebentas, calhamaços, professores, alunos, colégios ingleses com grandes relvados e portões altos, recreios, pátios, bibliotecas, pavilhões, cursos, workshops, seminários, conferências. Frequentei três escolas públicas (Roque Gameiro, Liceu da Amadora, ISCSP) e de todas guardo as melhores recordações. Tive excelentes professores, que não esqueço, em especial das matérias da minha predilecção, como Português e Filosofia.

É uma grande ideia, a escola. De correntes pedagógicas não percebo nada (isso é aqui com a minha amiga Catrenata), frequentei a escola dita tradicional, suponho, mas não foi nada mau. Nada mau mesmo. Temos a memória curta e damos a escola como adquirida mas aqui há 50 ou 60 anos não era nada adquirida, sobretudo para as raparigas. Havendo moços e moças, nas famílias, dava-se a primazia àqueles (“mandavam-se estudar”), enquanto estas ficavam em casa a cuidar dos irmãos mais novos, a coser meias e a dar conta das lides, pois claro. Também para que queres tanto estudo, rapariga? Quantas meninas não terão escutado este comentário?

Imagino essas primeiras meninas que puderam prosseguir os estudos, libertando-se do peso de tarefas domésticas impostas cedo demais, conseguindo vencer as amarras que as prendiam a um destino traçado à nascença. É uma grande ideia, a escola. A escola pública e universal. Ouço “escola pública” e involuntariamente empertigo-me. Não sendo professora, não sofrendo na pele o martírio diário da indisciplina ou da burocracia ou da injustiça ou da… conservo uma ideia romântica da escola. Uma ideia que tem a ver com justiça e igualdade de oportunidades. Uma escola que integra o desporto e as artes, que ensina música e poesia e teatro e astronomia, que leva os meninos aos museus e às fábricas.

Não sou professora, não teria estofo para isso. Tenho um marido professor, uma irmã professora, um tio professor, uma prima professora, amigos professores, maioritariamente na escola pública. Não digo que eles têm um trabalho ingrato pois acho precisamente o contrário. Devem ter o trabalho mais recompensador do mundo. Imaginem o que é ensinar crianças de meios desfavorecidos, conseguir furar uma série de barreiras, o meio hostil, a desconfiança, o desinteresse, uma cultura de massificação e entorpecimento, e tocar nem que seja um só aluno. Levá-lo a descobrir algo que desconhecia, a interessar-se por temas que ainda ninguém lhe tinha revelado, a ler um livro, a assistir a uma peça de teatro.

É uma grande ideia, a escola. Não deve existir instrumento mais poderoso para a criação de um mundo mais justo e igualitário. Defendo a escola pública incondicionalmente. Uma escola plural, multifacetada, viva, diversificada, com aulas de judo e hortas pedagógicas e esgrima. Estou a ser demagógica, agora? A esgrima é um exagero? Pois saibam que nas escolas da Amadora há esgrima!

Naturalmente, não tenho nada contra os colégios privados. A belíssima educação proporcionada por escolas como o Liceu Francês, a Escola Alemã, os Salesianos, St. Julian’s, St. Dominic’s , etc., deve ser uma vantagem do caraças nesta selva cá fora. Nem que seja por via das famílias e dos conhecimentos. É meio-caminho andado, já se sabe.

É por isso que me empertigo toda quando ouço Escola Pública. Quero que as nossas crianças todas tenham acesso pelo menos a boa parte daquilo que têm os meninos do Liceu Francês e da Escola Alemã. Não falo das mordomias, falo da Cultura, da Música, da Poesia, da Beleza, da Tecnologia, da Filosofia. Falo do estímulo para aprender a pensar, a ser curioso, criativo, imaginativo. A procurar (boas) soluções para viver nesta selva cá fora.

Beijinhos a todas,

Céu

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MValeGato

Queridas Senhoras,

precisei recentemente de um texto sobre comboios. De um dia para o outro, a Marta, aliás, a Costureira de Palavras,  resolveu-me o problema (como sempre, o resultado é mais feliz do que a encomenda) com  este texto culto e sensível.

Como hoje é o aniversário dela, lembrei-me de retribuir com um poema de Margarida Vale de Gato que fala de comboios e barcos. (“A melhor estreia de uma poeta portuguesa nas últimas décadas”, escreveu o Pedro Mexia em 2010).

Parabéns, querida Marta!

 

Intercidades

galopamos pelas costas dos montes no interior
da terra a comer eucaliptos a comer os entulhos de feno
a cuspir o vento a cuspir o tempo a cuspir o tempo
o tempo que os comboios do sentido contrário engolem
do sentido contrário roubam-nos o tempo meu amor
preciso de ti que vens voando
até mim
mas voas à vela sobre o mar
e tens espaço asas por isso vogas à deriva enquanto eu
vou rastejando ao teu encontro sobre os carris faiscando
ocasionalmente e escrevo para ti meu amor
a enganar a tua ausência a claustrofobia de cortinas
cor de mostarda tu caminhas sobre a água e agora
eu sei
as palavras valem menos do que os barcos
preciso de ti meu amor nesta solidão neste desamparo
de cortinas espessas que impedem o sol que me impedem
de voar e ainda assim do outro lado
o céu exibe nuvens pequeninas carneirinhos a trotar
a trotar sobre searas de aveia e trigais aqui não há
comemos eucaliptos eucaliptos e igrejas caiadas
debruçadas sobre os apeadeiros igrejas caiadas meu amor
eu fumo um cigarro entre duas paragens leio
o Lobo Antunes e penso as pessoas são tristes as
as pessoas são tão tristes as pessoas são patéticas meu
amor ainda bem que tu me escondes do mundo me escondes
dos sorrisos condescendentes do mundo da comiseração
do mundo
à noite no teu corpo meu amor eu
também sou um barco sentada sobre o teu ventre
sou um mastro
preciso de ti meu amor estou cansada dói-me
em volta dos olhos tenho vontade de chorar mesmo assim
desejo-te mas antes antes de me tocares de dizeres quero-te
meu amor hás-de deixar-me dormir cem anos
depois de cem anos voltaremos a ser barcos
eu estou só
Portugal nunca mais acaba comemos eucaliptos
eucaliptos intermináveis longos e verdes
comemos eucaliptos entremeados de arbustos
comemos eucaliptos a dor da tua ausência meu amor
comemos este calor e os caminhos de ferro e a angústia
a deflagrar combustão no livro do Lobo Antunes
comemos eucaliptos e Portugal nunca mais acaba Portugal
é enorme eu preciso de ti e em sentido contrário roubam-nos
o tempo roubam-nos o tempo meu amor tempo
o tempo para sermos barcos e atravessar paredes dentro dos quartos
meu amor para sermos barcos à noite à noite
a soprar docemente sobre as velas acesas
barcos.

In Mulher ao Mar, Edição Mariposa Azual, 2010, Lisboa

 

Beijinhos a todas,

Céu

 

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destaque

Queridas Senhoras,

acompanhei desde sempre as crónicas de imprensa do Joel Neto. Para além de ser grande fã do género, o Joel foi meu colega de faculdade e seguir os seus diários ao longo do tempo sempre significou reflectir sobre a minha geração de uma forma muito próxima.

Durante anos acompanhei as crónicas “urbanas” que, com o tempo, foram ficando um pouco cínicas, ácidas, desesperançadas, como, aliás todos nós. Revi-me em muitos dos seus textos, reconheci figuras, tiques, manias, modos de ser urbano-cínico-depressivos, sobretudo os especificamente lisboetas.

Há quatro anos o Joel regressou aos Açores de modo semi-definitivo, disposto a criar de novo raízes e a entregar-se a dias laboriosos de escrita, caminhadas, grandes e pequenas reparações domésticas e, claro, uma horta. Foi então que uma janela se abriu, um vento soprou sobre os seus textos diários, renovando a prosa e insuflando-a de uma esperança contagiante.

Quem disse que a felicidade não tem história?

Comecei a acompanhar os novos diários das cenas da vida rural e a sentir toda aquela explosão de vida e natureza. Bem sabemos como na cidade os dias correm muitas vezes iguais e damos por nós a toda a hora a dizer ”O quê? Já estamos em Junho?! Não tarda acabou o Verão. Olha já é Natal.” De facto, na cidade um ano inteiro pode passar sem que se dê por isso; das sardinhas às castanhas assadas é um ápice (e os caracóis aparecem cada vez mais cedo, irra). Logo me habituei, então, a abrir a janela com vista para os Dois Caminhos, como quem sai do ar saturado do escritório para o fresco do jardim, desejosa de respirar aquele ar puro e ser diariamente surpreendida pela variedade humana e paisagística, por assim dizer, contida na singela coluna de jornal. (No início deste ano a curta crónica diária tornou-se semanal e mais longa. A mesma riqueza de situações, personagens, ensinamentos, num registo talvez mais melancólico induzido pelo próprio formato).

Algumas das melhores crónicas destes anos estão agora reunidas no livro A Vida no Campo, que chega esta quarta-feira, 18 de Maio. O lançamento em Lisboa está marcado para 24 de Maio, na Fnac Chiado. A apresentação será de Fernando Alves que, por diversas vezes elogiou estes textos na sua rubrica diária na TSF, Sinais (como aconteceu recentemente com a história de Emanuel, o carteiro da Terra Chã que cita Jorge Luís Borges pela fresca).

Contem, pois, com poesia inesperada e um absurdo desejo, não de sofrer, mas de ser feliz, dê lá por onde der.

Beijinhos a todas,

Céu

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Um rapaz da Reboleira

por , em 13/5/16

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Querida Senhoras,

o Clube Literário da Amadora convidou João Ricardo Pedro (n. 1973), o engenheiro desempregado que venceu o Prémio Leya em 2011 com o seu romance de estreia, O Teu Rosto Será o Último, e acaba de publicar o segundo – Um Postal de Detroit – que estou a ler neste momento.

Um Postal de Detroit

A história do engenheiro-desempregado-escritor é muito apelativa e foi (bem) aproveitada pelo marketing da editora. É uma espécie de conto de fadas moderno, para mim mais atraente do que as narrativas, exploradas até à náusea, das startups e do miúdo universitário que inventou uma app e ficou milionário de um dia para o outro. O empreendedorismo consegue ser tão chato e pouco romântico…

Como se a história não tivesse já atractivos suficientes, calha que JRP é um rapaz da Reboleira, o que é mencionado logo na primeira linha da biografia que consta da badana. Reparem que não se diz que ele é da Amadora. Amadora é bom mas Reboleira é melhor. Experimentemos outras alternativas: um rapaz da Venteira, um rapaz de Alfornelos, um rapaz da Brandoa (bom!), um rapaz da Buraca (demais)…

Sendo eu uma rapariga da Reboleira, e apenas um ano mais nova que JRP, fico entusiasmada com estes detalhes. Provavelmente, frequentámos as mesmas escolas, a Roque Gameiro e o Liceu (se calhar os Anexos), a mesma piscina, o pavilhão da Académica, o café ao lado do Liceu, as matinés do Lido e ele devia ir também aos jogos do Estrela. Reboleira, anos 80 e 90. Quase dá vontade de chorar.

Não costumo ligar muito à biografia dos escritores nem me importa especialmente saber se são pessoas afáveis, de bom trato. Quer dizer, são bons escritores (se o forem) mas não têm obrigação de ser boas pessoas. Mas neste caso foi com um misto de curiosidade e receio que me dirigi à Biblioteca Municipal Piteira Santos para ouvir JRP de viva voz.

O conto de fadas é tão bom que o moço não só é, como parece mesmo um rapaz da Reboleira. Peneiras, nenhumas. Pose descontraída mas não blasé, uma franqueza no rosto, uma disponibilidade sincera para escutar e falar numa sala com a meia-dúzia de gatos-pingados do costume.

Por muito que queira intervir nestas sessões, normalmente não o faço por timidez ou pudor. Mas o sorriso honesto de JRP deu-me coragem e, além disso, estou muito envolvida com o livro e trazia uma passagem sublinhada, caso a oportunidade surgisse.

Noventa páginas após o início do livro (92 para ser precisa) o narrador dirige-se ao leitor pela primeira vez, interpelando-o. Isto pôs-me em estado de alerta. Se durante 90 páginas esse recurso não foi utilizado, porquê empregá-lo nesta altura? Quase suspendo a respiração, sei que estou prestes a ler alguma coisa muito intensa.

JRP confirma que se lembra do local e da hora exacta em que escreveu esse parágrafo e da sensação de felicidade que o preencheu ao completá-lo. Sentiu que tinha atingido ali qualquer coisa importante, uma emoção verdadeira. O trecho é tão intenso que depois de o ler fiquei uns bons minutos a reviver aquela memória.

[Trinta anos depois, o narrador recorda o último Verão que passou com a sua irmã Marta, antes de ela desaparecer. Ele era então um miúdo de 10 anos, feliz por receber atenção da irmã quando esta, saída do mar, sacudia sobre a sua barriga os cabelos molhados e salgados].

“Querido leitor, se chegaste até aqui talvez já me conheças o suficiente para poderes supor o quanto me custa interromper o curso da narrativa e dirigir-me a ti nestes termos; se o faço é apenas para que não restem dúvidas entre nós de que estes foram os instantes mais felizes que experimentei na vida, e que ainda hoje, passados trinta anos, sinto os pingos frios de água salgada a caírem sobre mim. E que mesmo na penumbra do quarto onde agora me encontro, oiço o barulho do fecho-éclair correndo ao longo das costas de Marta e vejo o seu corpo emergir, húmido, dourado pelo sol, de baixo do fato de neopreno – primeiro os ombros, os braços; depois os seios, a barriga, as ancas, as nádegas, as coxas. As pernas – uma harmonia perfeita de músculos e ossos, e sinto uma emoção tão grande, querido leitor, que me apetece gritar à praia inteira que ela é minha irmã!”

Beijinhos a todas,

Céu

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Queridas Senhoras,

sei que li The Great Gatsby na escola mas não tenho grande memória do livro. Ou foi mal lido ou não chegou na altura certa. Também nunca tinha visto nenhuma adaptação para televisão ou cinema. A ideia vaga que tinha da história, das personagens, é aquela que resulta das múltiplas referências que os grandes romances sempre suscitam. Nick Carraway, Tom e Daisy Buchanan, the green light, a baía, as festas loucas, um amor perigoso… de tudo isto tinha ressonâncias mas não a história completa.

Não seria a primeira vez que um filme me faz ir à procura do livro (aconteceu há pouco tempo com Anna Karenina) ou que um clássico me chega tardiamente (aconteceu há pouco tempo com A catcher in a rye). A falta de assiduidade às salas de cinema também me leva a perder muitos filmes mas às vezes recupero alguns. O Grande Gatsby de Baz Luhrmann passou na RTP este domingo. Para mim foi uma extraordinária surpresa.

O filme é de 2013 e, numa pesquisa rápida, percebi que a crítica não foi unânime, tendendo mais para a demolição. No entanto, de uma forma geral, foi considerado literariamente bastante fiel, no que se refere aos diálogos e descrições. (Algumas citações aqui. Pessoalmente, gosto muito desta: “And I like large parties. They’re so intimate. At small parties there isn’t any privacy.”)

Não sou especialmente fã do estilo artificioso, espectacular e fantasista que é marca deste realizador mas fiquei rendida à estética deste Gatsby.

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Leonardo DiCaprio (nunca há-de ter cara de homem, este rapaz, nem quando estiver cheiinho de rugas) é um magnético e terno Gatsby, personagem-mistério no centro de uma fantasia louca, exagerada, transbordante. A luz e a cor são um exagero, assim como a bebida, a velocidade, a música, a dança.

Se DiCaprio parece um miúdo, Tobey Maguire (Nick Carraway, primo da amada Daisy e narrador) é um bebé chorão. (Também pode ser que isto seja eu a ficar velha e achar todos muito jovens). É ele, Nick, vizinho de Gatsby, que nos conduz através deste sonho doido, de um e de outro lado da baía, em Long Island, onde Gatsby ergueu um castelo para o qual espera atrair a sua princesa, Daisy, que esvoaça por trás da luz verde ao fundo do ancoradouro.

Naturalmente há-de acabar tudo em tragédia. Uma tragédia bastante vã, pointless, como parecem ser as vidas loucas que atravessam o breve e intenso romance. Uma nota refrescante é que, por uma vez, não é a mulher que morre ou se mata!

Beijinhos a todas,

Céu

 

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Abismos

por , em 6/5/16

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Queridas Senhoras,

a Alice anda a ler os Contos Exemplares da Sophia de Mello Breyner que alguém teve a felicidade de lhe oferecer no último aniversário. Este livro é melhor que ela o leia sozinha, que o descubra por si própria. Parece-me uma leitura mais íntima, não se adequa às leituras conjuntas que fazemos todas as noites [presentemente estamos com A Lenda de Despereaux e antes desse A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson através da Suécia].

Há uns anos tentámos ler em conjunto um conto de Sophia e não correu bem. É um conto muito violento, do livro Histórias da Terra e do Mar, chamado “História da Gata Borralheira”. [Foi adaptado ao teatro numa peça chamada “Lúcia Afogada”. Dalila do Carmo é Lúcia e a peça está hoje e amanhã em cena da Casa Andresen, no Porto.] Lembro-me que não chegámos ao fim da história, eles tiveram medo. Mas suponho que a Alice esteja mais crescida. Afinal, ela já escreve as suas próprias histórias, com uma boa dose de terror e mistério.

Não sei o que achará ela era de um texto como “A Viagem”. Peguei no livro e li este conto verdadeiramente exemplar de uma assentada (não me recordo de o ter lido antes). Não sei se conhecem, é um conto perfeito, mágico, circular. Fala de um homem e de uma mulher. Vão de carro, numa estrada, a caminho de uma terra onde esperam ser felizes, sonham com banhos num rio “claro, branco, transparente”. Mas enganam-se numa encruzilhada, ou julgam enganar-se, e a partir daí tudo desaparece, tudo se perde. Bebem água de uma fonte e quando regressam a fonte não está lá. E assim por diante. O carro desaparece, prosseguem a pé pelos caminhos, encontrando coisas para logo as perderem em seguida. Entram numa floresta e, mesmo perdidos e preocupados, não resistem à beleza que os envolve.

“Iam de mãos dadas através do ar doirado e verde.”

O dia avança, quando têm fome comem os frutos que encontram, há uma sebe carregada de amoras. Tomam banho num pequeno rio cristalino.

“Mergulhavam de olhos abertos, tocando as pequenas pedras polidas do fundo, atravessando um mundo suspenso, transparente e verde.”

Prosseguem, o dia vai findando, a noite aproxima-se, a floresta chega ao fim. Termina num precipício. Há apenas um carreiro estreito e o abismo. E depois não há sequer carreiro. O homem perde-se, desaparece.

“Compreendia que agora era ela que ia cair no abismo. Viu que, quando as raízes se rompessem, não se poderia agarrar a nada, nem mesmo a si própria. Pois era ela própria o que ela agora ia perder.”

Qual é o significado deste conto?

Hei-de perguntar à Alice.

Beijinhos a todas,

Céu

 

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Questionário ‘Ter 40′